quinta-feira, junho 4, 2026

Banco do Brasil registra calote de R$ 3,6 bilhões de uma única empresa e eleva inadimplência a 5,17%, impacto direto no lucro e nas projeções para 2026

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Calote de R$ 3,6 bilhões em operação do segmento atacado pressiona índice de inadimplência acima de 90 dias para 5,17%, e altera perspectivas de lucro e carteira em 2026

O Banco do Brasil informou que uma única empresa do segmento atacado deu um calote de R$ 3,6 bilhões no quarto trimestre de 2025, um evento que elevou o índice de inadimplência acima de 90 dias para 5,17%.

O impacto foi suficiente para alterar a leitura da saúde da carteira de crédito do banco, e, segundo a instituição, sem esse efeito específico a taxa seria de 4,88%, contra 4,51% no trimestre anterior e 3,16% um ano antes.

As informações constam no balanço financeiro divulgado pelo banco para o quarto trimestre de 2025, e os dados influenciaram a avaliação sobre lucro e projeções para 2026, conforme informação divulgada pelo g1.

Detalhes do calote e efeito imediato na inadimplência

O banco explicou que o avanço da inadimplência reflete “um caso específico na carteira de Títulos e Valores Mobiliários, ligado a uma empresa do atacado”, sem identificar a companhia.

Com o efeito desse calote, o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,17% no quarto trimestre de 2025, número acima dos 4,51% registrados no terceiro trimestre e dos 3,16% de um ano antes, segundo o balanço do Banco do Brasil.

O banco também destacou que, se desconsiderado o risco ligado a essa operação, a inadimplência seria de 4,88%, o que mostra a magnitude do impacto de uma única exposição deteriorada.

Resultados, lucro e reações do mercado

Em 2025, o Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, uma queda de 45,4% frente a 2024. No quarto trimestre, o lucro líquido ajustado foi de R$ 5,7 bilhões, queda de 40,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas alta de 51,7% ante o terceiro trimestre, superando projeções do mercado.

Projeções compiladas pela LSEG indicavam lucro de R$ 4,5 bilhões para o quarto trimestre, e na sessão seguinte à divulgação as ações do banco subiram, refletindo reação dos investidores.

A presidente-executiva, Tarciana Medeiros, afirmou, “Nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão”. Ela também disse, “Estamos otimistas com 2026, atuando sempre com cautela, estratégia clara e execução disciplinada. Seguimos com foco contínuo em mitigação de riscos e rentabilidade: fortalecimento de garantias, matriz de resiliência e novos produtos para sustentar a parceria histórica com o agro.”

Projeções para 2026 e principais indicadores da carteira

O Banco do Brasil divulgou projeção para 2026 com lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões. A instituição espera expansão da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%, com crescimento de 6% a 10% para pessoa física.

Para empresas, a previsão é de contração de até 3% ou alta de 1%, e para o agronegócio variação entre -2% e 2%. O banco estimou custo do crédito entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões para 2026, e projeta aumento da margem financeira bruta entre 4% e 8%.

No final de dezembro, a carteira de crédito expandida somava quase R$ 1,3 trilhão, alta de 1,4% no trimestre e de 2,5% no ano. O custo do crédito no trimestre ficou próximo de R$ 18 bilhões, praticamente estável frente ao trimestre anterior, mas 93,9% acima do mesmo período de 2024.

Setores afetados e indicadores por segmento

Na pessoa física, a carteira cresceu 1,8% no trimestre e 7,6% na comparação anual, com inadimplência de 6,56%, ante 6,01% no trimestre anterior e 4,66% um ano antes. Entre pessoas jurídicas, a carteira ficou estável, e a inadimplência atingiu 3,75%.

A carteira do agronegócio, que vinha pressionando resultados, encerrou o trimestre com alta de 1,8% no período e de 2,1% na comparação anual, e inadimplência acima de 90 dias em 6,09%, ante 4,84% no trimestre anterior e 2,23% um ano antes.

O balanço também mostrou melhora em capitalização, com índice de capital nível 1 em 14,26%, capital principal em 12,23%, e índice de Basileia em 15,13%. O banco anunciou distribuição de R$ 1,2 bilhão em juros sobre capital próprio complementar.

O caso do calote de R$ 3,6 bilhões deixa clara a sensibilidade das carteiras a exposições concentradas, e os resultados e projeções divulgados apontam para um período de ajuste, com foco em mitigação de riscos e recuperação gradual da rentabilidade.

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