quinta-feira, junho 4, 2026

Banco do Brasil registra calote de R$ 3,6 bilhões de uma única empresa, inadimplência sobe para 5,17% e lucro anual recua 45,4%, entenda o impacto

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Efeito do calote de R$ 3,6 bilhões na carteira do Banco do Brasil, com inadimplência acima de 90 dias em 5,17% no quarto trimestre de 2025, e cenário para 2026

O Banco do Brasil registrou um problema relevante na carteira de crédito, após uma única empresa do segmento atacado deixar de pagar dívidas que somam R$ 3,6 bilhões.

O impacto foi sentido nos indicadores de risco e nos resultados do ano, com reflexos na inadimplência e na lucratividade da instituição.

Os números e as declarações sobre o caso foram divulgados pelo próprio banco, conforme informação divulgada pelo g1.

Calote e aumento da inadimplência

Segundo o Banco do Brasil, o chamado calote de R$ 3,6 bilhões elevou o índice de inadimplência acima de 90 dias a 5,17% no quarto trimestre de 2025.

O banco informou que, sem o efeito desse caso específico, a taxa teria sido de 4,88%, o que mostra a dimensão pontual, porém significativa, do episódio.

Resultados de 2025 e comparação anual

No conjunto do ano, o Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, uma queda de 45,4% em relação a 2024.

No quarto trimestre, o banco reportou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, queda de 40,1% em relação ao mesmo período de 2024, mas avanço de 51,7% ante o terceiro trimestre, acima das projeções de mercado.

Projeções e estratégia para 2026

Para 2026, o Banco do Brasil prevê lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, e projeta expansão da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%.

A presidente-executiva, Tarciana Medeiros, afirmou, em nota, que “Nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão“, e acrescentou, “Estamos otimistas com 2026, atuando sempre com cautela, estratégia clara e execução disciplinada. Seguimos com foco contínuo em mitigação de riscos e rentabilidade: fortalecimento de garantias, matriz de resiliência e novos produtos para sustentar a parceria histórica com o agro“.

Carteira por segmentos e custos

A carteira de crédito expandida somou quase R$ 1,3 trilhão no final de dezembro, alta de 1,4% no trimestre e de 2,5% em 12 meses, segundo o balanço do banco.

O custo do crédito ficou próximo de R$ 18 bilhões no trimestre, praticamente estável ante o período anterior, mas 93,9% acima do mesmo período de 2024, e a inadimplência segue pressionada em segmentos como pessoa física e agronegócio.

Na pessoa física, a inadimplência acima de 90 dias chegou a 6,56%, e na carteira do agronegócio a taxa subiu para 6,09% no quarto trimestre, refletindo desafios pontuais e setoriais.

Reação do mercado e próximos passos

Após a divulgação dos números, as ações do Banco do Brasil subiram na sessão seguinte, mostrando que investidores avaliaram o episódio de forma parcial.

O banco anunciou também distribuição de R$ 1,2 bilhão em juros sobre capital próprio complementar, e sinalizou medidas de mitigação de risco e fortalecimento de garantias para reduzir exposição a casos semelhantes.

O caso do calote de R$ 3,6 bilhões será monitorado pelos analistas, enquanto o Banco do Brasil tenta estabilizar indicadores de crédito e retornar a níveis de rentabilidade superiores nos próximos trimestres.

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