Levantamento Quaest aponta que quase metade da população percebeu variação na renda com a isenção do IR até R$ 5 mil, enquanto dois terços dizem não ter sido beneficiados
A mudança na regra do Imposto de Renda entrou em vigor em janeiro e tem gerado relatos mistos sobre o efeito direto no orçamento das famílias.
Alguns brasileiros afirmam ter notado ganho mensal, outros não perceberam diferença, e especialistas explicam quem efetivamente foi alcançado pela medida.
Os dados a seguir ajudam a entender como a isenção tem se refletido na prática, conforme informação divulgada pelo g1.
O que a pesquisa mostra
Ao questionar se “já deu para sentir alguma diferença na sua renda”, os entrevistados responderam:
Sim, a renda aumentou significativamente: 15%, Não, a renda aumentou, mas não muito: 32%, Não sentiu diferença: 50%, Não sabe/não respondeu: 3%.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 9 de fevereiro. A margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%, e reafirma a complexidade do impacto da isenção do IR até R$ 5 mil.
Quem foi beneficiado e qual o ganho estimado
A isenção do IR vale para quem recebe até R$ 5 mil por mês, e antes de entrar em vigor, a expectativa era de que os trabalhadores que recebem R$ 5 mil por mês tenham ganhos de R$ 312,89 na renda mensal.
Segundo o economista Bruno Carazza, doutor em Direito Econômico pela UFMG e comentarista do Jornal da Globo, a medida beneficia cerca de 15 milhões de contribuintes, e também prevê desconto progressivo para quem ganha até R$ 7.350 mensais.
Quem arca com o custo da medida
Conforme a nova lei, contribuintes com rendimentos acima da faixa progressiva continuam pagando 27,5% de imposto, e há cobrança específica para quem tem renda anual superior a R$ 600 mil.
O texto dá exemplos para ilustrar a cobrança sobre alta renda, como: quem ganha R$ 600.001,00 paga cerca de R$ 0,10, com alíquota de 0,000017%, e com R$ 615 mil anuais, a alíquota chega a 0,25%, e o imposto mínimo será de R$ 1.537,50.
Carazza calcula que um grupo estimado entre 140 mil e 150 mil pessoas, aquelas que recebem mais de R$ 50 mil por mês, passará a arcar com parte do custo da medida de isentar quem ganha até R$ 5 mil.
O que os números significam para as famílias
A pesquisa Quaest mostra que, mesmo com a isenção, a percepção de melhora na renda não foi unânime, e 47% relataram sentir impacto na renda familiar, enquanto 50% não perceberam diferença.
Para muitos, o aumento é pequeno, para outros foi significativo, e a distribuição dos ganhos depende do salário, da composição familiar e de despesas fixas.
Em curto prazo, a isenção do IR até R$ 5 mil teve efeito real para parcela da população, e os números ajudam a avaliar ajustes futuros na política fiscal, com atenção para quem foi beneficiado e para quem arca com o custo.