Acordo bilateral detalhado amplia compras americanas entre 2025 e 2029, reduz tarifas reciprocamente e inclui compromissos para semicondutores, energia, IA e equipamentos críticos
O novo pacto entre os Estados Unidos e Taiwan define termos técnicos e metas de compras que podem redesenhar cadeias de suprimentos e exportações agrícolas.
A negociação formaliza reduções tarifárias e obrigações de compra de bens americanos por Taiwan até 2029, com impacto direto em energia, aviação e redes elétricas.
Essas medidas foram divulgadas publicamente nas informações mais recentes sobre o acordo, conforme informação divulgada pelo g1
Principais compromissos comerciais e números
O texto finaliza detalhes do acordo-quadro de janeiro, e estipula uma tarifa dos EUA de 15% sobre produtos importados de Taiwan, mantendo a redução em relação aos 20% anteriormente aplicados.
Taiwan, em contrapartida, se compromete a aumentar significativamente as compras de produtos dos Estados Unidos entre 2025 e 2029.
Entre os valores explicitados estão, de forma direta, US$ 44,4 bilhões em gás natural liquefeito e petróleo bruto, US$ 15,2 bilhões em aeronaves civis e motores, e US$ 25,2 bilhões em equipamentos e geradores para redes elétricas.
Tarifas agrícolas e barreiras comerciais
O acordo prevê a eliminação imediata das tarifas de Taiwan de até 26% sobre muitas importações agrícolas americanas, incluindo carne bovina, laticínios e milho.
No entanto, algumas tarifas caem de forma escalonada, por exemplo a tarifa atual de 40% sobre barriga de porco e a de 32% sobre presunto, ambas previstas para reduzir apenas até 10% conforme a tabela tarifária.
Além disso, Taiwan concordou em remover barreiras não tarifárias sobre veículos automotores e aceitar os padrões de segurança automotiva dos EUA, bem como os de dispositivos médicos e produtos farmacêuticos.
Investimentos em semicondutores, IA e indústria de alta tecnologia
O acordo reafirma compromissos prévios de investimento em produção de semicondutores, energia e inteligência artificial nos EUA, com empresas de Taiwan prometendo aportes relevantes.
O pacto de janeiro incluía o compromisso de que empresas taiwanesas investiriam US$ 250 bilhões nos EUA, incluindo US$ 100 bilhões já comprometidos pela Taiwan Semiconductor Manufacturing Company.
O documento final sinaliza que a representação de Taiwan nos EUA trabalhará com autoridades americanas para facilitar novos investimentos greenfield e brownfield em setores estratégicos de manufatura de alta tecnologia, incluindo IA e eletrônicos avançados.
O presidente taiwanês, Lai Ching-te, avaliou o acordo afirmando, “Este é um momento decisivo para a economia e as indústrias de Taiwan aproveitarem os ventos da mudança e passarem por uma grande transformação“, destacando a intenção de otimizar a estrutura econômica e comercial entre os dois lados.
Impacto sobre cadeias de suprimento e déficit comercial dos EUA
Os Estados Unidos dizem que o acordo ampliará oportunidades de exportação para agricultores, pecuaristas, pescadores, trabalhadores e fabricantes americanos, e fortalecerá cadeias de suprimento em setores de alta tecnologia.
Segundo dados oficiais citados, nos primeiros 11 meses de 2025, o déficit comercial dos EUA com Taiwan saltou para US$ 126,9 bilhões, ante US$ 73,7 bilhões em todo o ano de 2024, em grande parte devido ao aumento das importações de chips de IA de alto desempenho vindos de Taiwan.
O Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmou, “Este acordo também se baseia em nossa longa relação econômica e comercial com Taiwan e aumentará significativamente a resiliência de nossas cadeias de suprimentos, especialmente nos setores de alta tecnologia“, apontando a intenção americana de diversificar e reforçar a segurança industrial.
Especialistas e setores envolvidos agora devem acompanhar a implementação das cláusulas técnicas e das tabelas tarifárias, pois as mudanças prometem efeitos setoriais e geopolíticos nos próximos anos.