quinta-feira, junho 4, 2026

Abate de gado bate recorde em 2025, 42,3 milhões de cabeças, IBGE registra alta de 13,1% no 4º tri, China impulsiona exportações e cotas preocupam

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Com o abate de gado acelerado pela demanda chinesa, vendas somaram US$ 650 milhões em janeiro, cotas com sobretaxa de 55% podem reduzir envios e alterar preços

O Brasil registrou uma aceleração no processamento de bovinos em 2025, impulsionada por forte demanda externa. O movimento levou o país a assumir a dianteira na produção mundial de carne bovina.

Fontes oficiais e do setor estimam impactos diretos em preços do gado e no ritmo das exportações, enquanto o governo avalia medidas para regular embarques. A pressão maior vem da China, que passou a impor limites às importações.

As informações sobre os números e os efeitos recentes foram divulgadas pela imprensa que acompanha dados oficiais e setor, conforme informação divulgada pelo g1

Recorde de abates em 2025

Dados preliminares do IBGE mostram que o abate de gado no Brasil cresceu 13,1% no quarto trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior. Se esse aumento for confirmado, o total de abates no Brasil em 2025 chega a 42,3 milhões de cabeças, um recorde.

O avanço no abate de gado se reflete em maior processamento industrial e ampliação da oferta de carne para o mercado interno e para exportação.

China puxa produção e exportações

A forte demanda chinesa impulsionou a aceleração do processamento e colocou o Brasil à frente dos Estados Unidos como o maior produtor mundial de carne bovina.

Dados do governo brasileiro indicam que a demanda chinesa permaneceu forte em janeiro, com as vendas para o país asiático alcançando US$ 650 milhões no mês passado, quase 45% a mais do que há um ano. No total, o Brasil vendeu cerca de 232.000 toneladas métricas de carne bovina fresca para vários destinos em janeiro de 2026, gerando quase US$ 1,3 bilhão em receita.

A participação da China no comércio de carne bovina do Brasil foi de aproximadamente metade, em valor e volume, segundo os dados oficiais citados pela reportagem.

Cotas chinesas e resposta brasileira

No futuro, porém, as empresas brasileiras podem não vender tanto para seu principal parceiro comercial, já que Pequim introduziu cotas máximas anuais de importação para fornecedores ao longo de três anos.

Qualquer coisa que exceda um determinado limite será tributada com uma sobretaxa de 55%, uma medida que ficou conhecida como salvaguarda e assustou processadores locais.

O governo brasileiro discute, com o setor, um plano para atribuir cotas específicas às empresas, na mesma proporção de suas exportações para a China no ano passado, a fim de regular os suprimentos. Os defensores dizem que isso poderia evitar pressão ascendente sobre os preços do gado ou queda nos preços de exportação, já que empresas correriam para preencher suas cotas.

Os detratores afirmam que a medida pode permitir uma interferência sem precedentes nas exportações de alimentos, alterando a dinâmica competitiva entre empresas.

Pequim isentará 1,106 milhão de toneladas métricas de carne bovina brasileira de tarifas adicionais este ano. Em média, os exportadores locais venderiam cerca de 92.000 toneladas mensais para a China abaixo do limite, em comparação com quase 140.000 toneladas mensais em 2025, segundo os dados citados.

O que vem pela frente

O setor frigorífico e o governo presidencial ainda discutem a melhor forma de distribuir cotas e de proteger produtores e exportadores. O mercado continuará acompanhando números de abate de gado e os fluxos comerciais para entender como as cotas chinesas vão redesenhar a pauta brasileira de exportações.

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