Com 203 votos a favor e 42 contrários, Câmara aprovou o acordo UE-Mercosul, texto segue ao Senado em 26 de fevereiro, e governo Milei quer vantagem competitiva sobre o Brasil
A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou o projeto de ratificação do acordo UE-Mercosul pouco antes da meia-noite de quinta-feira, com ampla maioria entre os legisladores.
A votação registrou divisão mesmo em blocos tradicionais, e o texto agora segue ao Senado, que deve debater o tema em 26 de fevereiro, em sessão marcada para analisar a tramitação acelerada pelo Executivo.
Conforme informação divulgada pelo g1.
Resultado da votação e reação dos partidos
No plenário foram confirmados números expressivos, Foram 203 votos a favor e apenas 42 contrários. Quatro deputados se abstiveram. A bancada do peronismo, historicamente protecionista, apareceu dividida, com metade dos deputados apoiando o avanço do tratado.
A aprovação na Câmara mostra um movimento político relevante, com setores de oposição também aderindo ao texto, em um desenho que favoreceu a tramitação em ritmo acelerado.
Próximos passos no Congresso e prazo no Senado
Com a remessa ao Senado, a expectativa no Executivo argentino é de nova aprovação no dia 26 de fevereiro, o que poderia transformar a Argentina no primeiro país do Mercosul a ratificar integralmente o acordo no Congresso.
A ratificação completa por todos os membros do bloco é condição necessária para que o tratado entre em vigor imediato entre as partes, explicam observadores políticos e fontes legislativas.
Objetivo do governo Milei e disputa com o Brasil
O governo de Javier Milei deixou claro o objetivo de posicionar a Argentina à frente dos demais parceiros do Mercosul, para acessar primeiro cotas de exportação, especialmente do setor agropecuário, como a carne.
Em Brasília, a Câmara dos Deputados brasileira só deve começar a debater a ratificação no próximo dia 24, o que amplia a percepção de uma corrida regional por vantagem nas novas oportunidades de comércio previstas pelo acordo UE-Mercosul.
Aplicação provisória na União Europeia e dimensão geopolítica
Do outro lado do Atlântico, o Parlamento Europeu enviou o tratado ao Tribunal de Justiça da União Europeia, procedimento que pode levar até dois anos, enquanto a Comissão Europeia tem autoridade para aplicar provisoriamente o capítulo comercial.
O pacto, assinado em 24 de junho após 25 anos de negociações, cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo e tem forte componente geopolítico, ao promover uma aproximação entre sul-americanos e europeus como contrapeso em um cenário global polarizado.