Mercado monitora a divulgação do CPI americano, a reviravolta no caso Banco Master e dados locais, com o dólar negociado a R$ 5,2240 e reações na bolsa
O dia começa com atenção redobrada para a inflação nos Estados Unidos e para eventos políticos e corporativos no Brasil, que pressionam o mercado cambial.
Investidores avaliam o índice de preços ao consumidor americano, sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve e notícias sobre balanços e investigações locais.
O movimento se reflete na cotação da moeda e na aversão a risco, com impactos também no desempenho da bolsa e em setores específicos da economia, conforme informação divulgada pelo g1.
Cenário externo e o papel do CPI
O destaque no exterior é o CPI dos Estados Unidos, com divulgação prevista para as 10h30, dado que pode mudar expectativas sobre o ritmo de cortes de juros pelo Federal Reserve.
Na véspera, a reação já se viu em Wall Street, onde as bolsas fecharam em queda: o Nasdaq caiu 2%, o S&P 500 perdeu cerca de 1,6% e o Dow Jones recuou 1,3%, depois de um payroll acima do esperado divulgado na quarta-feira.
No começo do pregão, o ouro subiu como proteção em momentos de incerteza, enquanto o petróleo permaneceu quase estável, e os investidores aguardam o CPI para ajustar posições.
Movimento do câmbio e números do dia
O dólar iniciou a sexta-feira em alta de 0,47%, negociado a R$ 5,2240, após ter fechado na véspera em alta de 0,25%, cotado a R$ 5,1998.
Os acumulados reportados mostram que o dólar segue em queda no período mais amplo, com acumulado da semana em -0,39%, do mês em -0,91% e do ano em -5,26%.
Enquanto isso, o Ibovespa abriu para a última sessão antes do feriado de Carnaval, com acumulado da semana em +2,63%, do mês em +3,53% e do ano em +16,53%.
Cenário doméstico, inflação e política
No Brasil, o IGP-10 de fevereiro surpreendeu com queda de 0,42%, ante projeção do mercado de recuo de 0,12%, puxado pela queda nos preços no atacado, especialmente soja e minério de ferro.
O índice passou a acumular deflação de 2,25% em 12 meses, segundo a Fundação Getulio Vargas, enquanto os preços ao consumidor subiram, influenciados por reajustes em educação e aumentos em gasolina, transporte e moradia.
Também houve recuo nas vendas no varejo, que caíram 0,4% em dezembro na comparação com novembro, e cresceram 2,3% frente a dezembro do ano anterior, informou o IBGE.
No plano político, houve mudança na relatoria do caso Banco Master, após o ministro Dias Toffoli solicitar afastamento, com redistribuição do processo para o ministro André Mendonça.
Os ministros afirmaram que não há prova de irregularidade por parte de Toffoli e o apoiaram, e o próprio ministro nega qualquer relação financeira com o banqueiro e afirma que não cometeu ilegalidades.
Balanços corporativos e efeitos no mercado
A temporada de balanços também está no radar. O Banco do Brasil informou que uma empresa do segmento atacado deu um calote de R$ 3,6 bilhões no quarto trimestre, o que elevou a inadimplência do banco para 5,17%, quando poderia ter ficado em 4,88% sem esse caso.
O banco disse que o problema era conhecido e vinha sendo provisionado, e que a dívida foi repassada a outro credor no início de 2026, apesar de ter registrado lucro de R$ 20,7 bilhões em 2025.
A Vale reportou prejuízo de US$ 3,8 bilhões no último trimestre de 2025 por ajustes contábeis ligados ao níquel no Canadá, enquanto as vendas de minério de ferro e cobre permaneceram sólidas e o resultado operacional melhorou.
O mercado acompanha ainda resultados da Usiminas e a teleconferência da Vale, que influenciam papéis específicos e contribuem para a volatilidade no dia.
O que observar nas próximas horas
Os principais pontos a serem acompanhados são o CPI dos EUA, que pode afetar a trajetória dos juros globais, a condução do caso Banco Master no STF e novas informações sobre balanços que impactaram a confiança de investidores.
Com esses elementos, a cotação do dólar e o desempenho do Ibovespa devem seguir sensíveis a notícias econômicas e políticas, e operadores tendem a ajustar posições até a definição dos dados e desdobramentos no Brasil.
Para os próximos dias, a combinação entre decisões corporativas, indicadores locais e o calendário internacional de dados será determinante para a direção dos mercados.