Dólar inicia a sessão em alta, negociado a R$ 5,2240, com investidores reagindo ao CPI dos EUA, ao caso Banco Master no STF e a dados domésticos como o IGP-10
O mercado financeiro abriu a sexta-feira com o dólar em alta, refletindo a atenção dos investidores à inflação nos Estados Unidos e a incertezas políticas no Brasil.
Além da pauta externa, indicadores locais e resultados corporativos ajudaram a dar tom ao dia e a influenciar a movimentação do câmbio e das bolsas.
Os dados e fatos citados a seguir foram reunidos conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o dólar subiu hoje
O dólar abriu em alta de 0,47%, negociado a R$ 5,2240, frente à véspera em que a moeda americana fechou em alta de 0,25%, cotada a R$ 5,1998, conforme as cotações divulgadas pelo mercado.
O principal fator externo é a divulgação do índice de preços ao consumidor dos EUA, o CPI de janeiro, marcada para as 10h30, que pode alterar expectativas sobre os cortes de juros pelo Federal Reserve.
No front local, notícias sobre o banco Master e consequências em Brasília aumentam a aversão a risco, o que tende a fortalecer a busca por moeda estrangeira.
Impacto do cenário político, com foco no caso Banco Master
No Supremo Tribunal Federal, o ministro Dias Toffoli solicitou o afastamento da relatoria do caso Banco Master, e o processo passou por sorteio para o ministro André Mendonça.
A mudança ocorreu depois que a Polícia Federal encontrou menções a Toffoli em dados do celular do banqueiro investigado, segundo a apuração do g1, fato que gerou desconforto no tribunal.
Os ministros afirmaram que não há prova de irregularidade por parte de Toffoli, e ele nega qualquer relação financeira com o banqueiro, conforme as informações divulgadas.
Indicadores domésticos e balanços pesam sobre as expectativas
No Brasil, o IGP-10 de fevereiro caiu 0,42%, após alta de 0,29% no mês anterior, e com isso o índice passou a acumular deflação de 2,25% em 12 meses, segundo a Fundação Getulio Vargas, dados que mostram arrefecimento de pressões de preço no atacado.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou que as vendas no varejo recuaram 0,4% em dezembro na comparação com o mês anterior, e subiram 2,3% sobre um ano antes, sinalizando ritmo fraco no consumo.
Na temporada de resultados, o mercado acompanha números e eventos corporativos que também influenciam a confiança, como o comunicado do Banco do Brasil que informou um calote de R$ 3,6 bilhões no quarto trimestre de 2025, e o resultado da Vale, que registrou prejuízo de US$ 3,8 bilhões no último trimestre de 2025.
O Banco do Brasil disse que, por causa desse calote, a taxa de inadimplência subiu para 5,17%, quando poderia ter ficado em 4,88% sem esse caso, e que a dívida foi repassada a outro credor no início de 2026, conforme nota divulgada pelo banco.
Mercados globais e próximos passos
Em Nova York, as bolsas reagiram com queda na sessão anterior, com o Nasdaq recuando 2%, o S&P 500 perdendo cerca de 1,6% e o Dow Jones caindo 1,3%, diante da expectativa pelo CPI.
Na Ásia, as bolsas também fecharam em queda, com o Hang Seng em baixa de 1,72%, Xangai recuando 1,26% e o CSI300 caindo 1,25%, reflexo do nervosismo global com a inflação nos EUA.
No curto prazo, a direção do dólar deve seguir atrelada ao resultado do CPI, às definições no STF sobre o caso do Banco Master e ao fluxo ligado aos balanços das grandes empresas brasileiras.
Para acompanhar em tempo real, analistas destacam a importância de monitorar a divulgação do CPI nos EUA, os desdobramentos sobre a relatoria do caso Master no STF e as próximas divulgações de resultados corporativos, que podem acentuar movimentos de aversão ao risco e volatilidade no câmbio e nas bolsas.
Dados de referência divulgados: Acumulado da semana: -0,39%;Acumulado do mês: -0,91%;Acumulado do ano: -5,26%., Ibovespa, Acumulado da semana: +2,63%;Acumulado do mês: +3,53%;Acumulado do ano: +16,53%.