Administração norte-americana revisa lista de produtos afetados, pretende interromper expansão das taxas sobre aço e alumínio e focar em medidas mais direcionadas para aliviar custo de vida
O governo do presidente Donald Trump começou a revisar a aplicação das tarifas sobre aço e alumínio em uma tentativa de reduzir o impacto nos preços pagos pelos consumidores.
Segundo reportagem do Financial Times, autoridades do Departamento de Comércio e do escritório do representante comercial dos EUA avaliam que as taxas têm elevado custos de itens do dia a dia.
As informações constam em matéria que traz ainda dados sobre aprovação pública e efeitos nas exportações, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que a revisão das tarifas ganhou força
Autoridades citadas pelo Financial Times dizem que as taxas têm pressionado preços de produtos como formas para tortas e latas de alimentos e bebidas, afetando diretamente os consumidores.
Em reação à preocupação com o custo de vida, a Casa Branca avalia isentar alguns itens da lista, interromper a expansão das listas e, em vez disso, lançar investigações de segurança nacional mais direcionadas a produtos específicos, segundo a reportagem.
Impacto político e opinião pública
O efeito das tarifas entrou no debate eleitoral, porque os eleitores estão sensíveis à inflação e ao custo de bens essenciais.
Uma pesquisa recente da Reuters em parceria com o Ipsos mostrou que 30% dos norte-americanos aprovaram a maneira como Trump lidou com o aumento do custo de vida, enquanto 59% desaprovaram, incluindo nove em cada dez democratas e um em cada cinco republicanos.
Detalhes sobre as taxas e produtos atingidos
Segundo a apuração, Trump impôs tarifas de até 50% sobre as importações de aço e alumínio no ano passado, e o Departamento de Comércio dos EUA aumentou as tarifas sobre o aço e o alumínio em mais de 400 produtos, incluindo turbinas eólicas, guindastes móveis, eletrodomésticos e vagões ferroviários.
Na prática, a revisão pode reduzir custos para fabricantes e comerciantes, e aliviar a pressão sobre preços ao consumidor, dependendo de quais itens forem realmente isentados.
Consequências para o Brasil e para o comércio exterior
As medidas dos EUA afetaram exportadores brasileiros, porque muitos produtos que contêm aço e alumínio passaram a ter tarifas mais altas.
Na avaliação do governo brasileiro na época das medidas, houve mudança de enquadramento de algumas exportações para a Seção 232, e o então vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin disse, “Fizemos a conta e dá US$ 2,6 bilhões de inserção de aço e alumínio nas exportações brasileiras, de US$ 40 bilhões de dólares, ou seja, 6,4% das exportações saem dos 50% e vão para a sessão do 232, o que torna igual nossa competitividade com o resto do mundo. Isso vai dar uma melhor na competitividade industrial”.
Se os EUA realmente reduzirem ou segmentarem as tarifas, exportadores brasileiros podem ver efeitos mistos, com alguns segmentos ganhando acesso mais competitivo ao mercado americano e outros mantendo barreiras.
As autoridades americanas e a Casa Branca não comentaram imediatamente além do que foi reportado, e a decisão final deve levar em conta tanto impactos econômicos quanto considerações políticas antes das eleições legislativas de novembro.