quinta-feira, junho 4, 2026

EUA vendem petróleo venezuelano, controlam receitas e transferem recursos ao governo de Delcy Rodríguez, com Vitol, Trafigura e fundo fiduciário no Catar

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Como os EUA vendem petróleo venezuelano, centralizam as receitas em um fundo no Catar e liberam dólares ao governo de Delcy Rodríguez por meio de leilões do BCV

A operação começou após a queda de Nicolás Maduro, quando autoridades americanas anunciaram que os Estados Unidos assumiriam a comercialização do petróleo venezuelano, além da gestão das receitas das vendas.

Empresas privadas foram contratadas para vender o petróleo em refinarias na Costa do Golfo dos EUA, enquanto os recursos são colocados em um fundo fiduciário no Catar, sob supervisão americana.

O mecanismo promete injetar dólares na economia venezuelana por vias controladas, mas levanta dúvidas sobre transparência e eficácia, conforme informação divulgada pelo g1.

Como são feitas as vendas

Logo após a prisão de Maduro, o governo americano afirmou que receberia entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo venezuelano para venda no mercado, e que controlaria a receita para que ela beneficie o povo, conforme anúncio presidencial citado pela reportagem.

O Departamento de Energia dos EUA disse que começou a negociar esse volume, e fontes indicaram que as empresas de comercialização escolhidas foram a Vitol e a Trafigura, duas gigantes do setor.

Fontes citadas pelo g1 afirmam que essas traderes adquiriram o petróleo a cerca de US$ 15 abaixo do Brent e o ofereceram a refinarias na Costa do Golfo por um preço entre US$ 8 e US$ 9 menor que o Brent, valores compatíveis com descontos históricos do petróleo venezuelano.

Para onde vai o dinheiro

A primeira venda, anunciada em 14 de janeiro, foi avaliada em US$ 500 milhões, e as receitas não ficaram sob controle direto das autoridades venezuelanas, segundo o g1.

O montante foi depositado inicialmente em uma conta do Banco Central da Venezuela no JP Morgan, e depois transferido para uma conta no Catar que funciona como um fundo fiduciário entre os EUA e o governo de Delcy Rodríguez.

Segundo especialistas citados na matéria, o dinheiro é então distribuído a bancos venezuelanos para venda de dólares ou para cobrir necessidades do país, mas cada liberação depende de aprovação prévia dos Estados Unidos e do fundo fiduciário.

Como o governo venezuelano acessa os recursos

O Banco Central da Venezuela tem alocado recursos por meio de leilões aos quais empresas e pessoas físicas podem concorrer via quatro bancos locais, de acordo com a reportagem.

Em geral, o BCV recebe ofertas indicando a demanda em dólares e o preço, e decide quem recebe a moeda, em que montante e a que preço.

Dados citados pelo g1 mostram que, até 30 de janeiro, a alocação seguia a lógica de prioridades acordadas, com cerca de 80% para setores como alimentos e medicamentos, 15% para outros setores produtivos, e 5% para pessoas físicas, segundo levantamento citado.

Transparência, riscos e efeitos econômicos

Autoridades americanas, como o senador Marco Rubio, justificaram o mecanismo como temporário para evitar que receitas servissem a antigos aparelhos de poder, e prometeram auditorias posteriores pagas com recursos venezuelanos.

Rubio afirmou, citado pelo g1, que “A Venezuela estava ficando sem capacidade de armazenamento. Eles estavam produzindo petróleo, estavam perfurando, mas não tinham onde armazená-lo nem como transportá-lo. E estavam enfrentando pressão fiscal“.

Ele também disse que “Estamos usando esse mecanismo de curto prazo tanto para estabilizar o país quanto para garantir que as receitas do petróleo geradas beneficiem o povo venezuelano e não financiem o sistema que existia no passado“.

Apesar dos ganhos iniciais em disponibilidade de moeda estrangeira, especialistas ouvidos pela matéria apontam preocupações sobre a falta de clareza em critérios de alocação, supervisão e velocidade de execução caso o programa seja ampliado.

O g1 informa que o BCV já leiloou aproximadamente US$ 800 milhões por meio do sistema bancário, um ritmo que poderia chegar a US$ 1,4 bilhão no primeiro trimestre de 2026 se mantido.

Analistas citados na reportagem avaliam que, se bem executado, o mecanismo pode reduzir inflação e dar maior estabilidade cambial, mas alertam que serão necessários volumes muito maiores de receita para estabilizar a economia venezuelana de forma duradoura.

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