quinta-feira, junho 4, 2026

Mensagens de 2019 expõem plano de Bannon com Epstein para ‘derrubar o Papa Francisco’ usando livro ‘No Armário do Vaticano’, diz CNN e documentos do DOJ

Share

Trocas reveladas mostram Steve Bannon articulando uma ofensiva política contra o Papa Francisco, propondo adaptação do livro ‘No Armário do Vaticano’ com participação de Jeffrey Epstein

Mensagens trocadas em 2019 colocam Bannon no centro de uma estratégia para atacar o Papa Francisco, com sugestões de transformar o livro em um filme e envolver Jeffrey Epstein na produção.

Os diálogos, divulgados em um conjunto de documentos tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, indicam que Bannon buscava instrumentalizar a obra para ampliar críticas à Igreja Católica.

As informações constam em reportagens e na publicação dos arquivos, conforme informação divulgada pela CNN.

O que mostram as mensagens

Em junho de 2019, em uma mensagem enviada diretamente a Epstein, Steve Bannon escreveu, “Vou derrubar o Papa Francisco. Os Clintons, Xi, Francisco, a UE – vamos lá, irmão”.

Os documentos incluem ainda troca em 1º de abril de 2019, quando Epstein enviou a si mesmo um e-mail com a expressão “no armário do Vaticano”, e depois encaminhou a Bannon um artigo intitulado “Papa Francisco ou Steve Bannon? Os católicos precisam escolher”. Bannon respondeu, “escolha fácil”.

As mensagens sugerem que Epstein acompanhava e, em certa medida, incentivava as iniciativas de Bannon, e que ambos discutiam formas de tornar o tema religioso parte de uma ofensiva política mais ampla.

Plano de adaptação e o papel do livro

Parte da troca de mensagens gira em torno do livro “No Armário do Vaticano”, do jornalista francês Frédéric Martel, publicado em 2019, que aborda cultura de segredo e suposta hipocrisia no Vaticano.

Em uma das mensagens, Bannon demonstrou interesse em adaptar o livro para o cinema e sugeriu que Epstein poderia assumir o posto de produtor executivo, escrevendo, “Você agora é o produtor executivo de ‘ITCOTV’ (No Armário do Vaticano)”.

Martel disse à CNN que se reuniu com Bannon, mas que não poderia fechar qualquer acordo, porque os direitos da obra pertenciam a seus editores e já estavam comprometidos com outra empresa, segundo a reportagem.

Referências e citações que aparecem nas conversas

Além das propostas de produção, as mensagens trazem tentativas de amplificar o debate religioso e de influenciar a agenda pública. Em 2018, Epstein escreveu a Bannon dizendo que tentava “organizar uma viagem para o Papa ao Oriente Médio”, sugerindo o título “tolerância”.

Em outra ocasião, após Bannon compartilhar um artigo sobre o Vaticano condenando o “nacionalismo populista”, Epstein citou o poema de John Milton, “Melhor reinar no inferno do que servir no céu”.

O conjunto de documentos foi divulgado pelo Departamento de Justiça, e a cobertura da CNN reuniu e contextualizou as mensagens, mostrando o teor das conversas entre Bannon e Epstein.

Contexto político e repercussões

Bannon deixou o governo Trump em 2017 e, desde então, intensificou críticas ao Papa Francisco, a quem já chamou de “desprezível” em entrevistas e o acusou de alinhar-se a elites globalistas.

Os documentos também trazem a nota, em outro arquivo, de que um documento do FBI sugere que Trump sabia de crimes de Epstein, informação que aparece entre os registros públicos relacionados ao caso.

A CNN relatou tentativas de contato com representantes de Bannon para comentar as mensagens, sem retorno até a publicação das reportagens. Trump segue negando qualquer irregularidade relacionada a Epstein ou alegações de má conduta sexual.

Leia Mais

Fique por dentro