quinta-feira, junho 4, 2026

Greve de fome em Caracas por presos políticos, familiares exigem libertação após adiamento da lei de anistia, Zona 7 e promessas da Assembleia Nacional

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Familiares de presos políticos iniciam greve de fome na entrada da Zona 7 em Caracas, cobrando aceleração da lei de anistia que pode libertar centenas de detidos

Cerca de dez mulheres, entre mães e esposas, deitaram-se em fila na entrada da prisão conhecida como Zona 7 em Caracas, para iniciar uma greve de fome destinada a pressionar por mais libertações.

O protesto ocorre após novo adiamento da votação da lei de anistia proposta pela presidente interina Delcy Rodríguez, que, segundo expectativas, poderia beneficiar presos de diferentes períodos do chavismo.

O movimento busca respostas e avanços concretos, e segue uma série de liberações recentes, conforme informação divulgada pelo g1

O que aconteceu na Zona 7

Durante a madrugada, 17 presos políticos foram libertados das celas da Polícia Nacional conhecidas como Zona 7, na capital da Venezuela, segundo relatos obtidos pelo g1.

Apesar das solturas, familiares mantêm o acampamento no local, e uma lista com os nomes das grevistas foi deixada à entrada, enquanto as mulheres afirmaram que iniciar a greve de fome era uma medida drástica, porém necessária.

Demandas das famílias e relatos pessoais

Em depoimentos à AFP, Evelin Quiaro, mãe de um detido, afirmou, “Nós exigimos com isso que já se concretize e seja real a libertação de todos. É justo, é justo.

Quiaro, de 46 anos, disse que comeu pela última vez após a 1h da manhã, e que a decisão pela greve partiu da exaustão diante da demora nas promessas de libertação.

Contexto político e a lei de anistia

No poder após a queda de Nicolás Maduro em 3 de janeiro em uma intervenção militar americana, Delcy Rodríguez propôs a lei de anistia em 30 de janeiro, mas a discussão final foi adiada duas vezes por divergências sobre seu alcance.

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, chegou a visitar a Zona 7 e prometeu, “Vamos reparar todos os erros que tenham sido cometidos,” e indicou que a votação ocorreria em 10 de fevereiro, prazo que acabou sendo postergado.

Dados, organizações e próximos passos

De acordo com a ONG Foro Penal, desde 8 de janeiro 431 presos políticos obtiveram liberdade condicional e 644 permanecem na prisão.

Entre os libertados durante a madrugada estava José Elías Torres, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela, preso desde novembro sem ordem judicial, segundo o Comitê para a Liberdade dos Presos Políticos na rede X.

Familiares afirmam que, além das libertações parciais, querem garantias de liberdade plena para todos os detidos por motivos políticos, e a próxima sessão legislativa para tratar da anistia está prevista para 19 de fevereiro.

Com a greve, as famílias esperam aumentar a pressão sobre a Assembleia Nacional e o Poder Judiciário, e evitar que as divergências sobre o alcance da lei impeçam a libertação de centenas de pessoas detidas por motivos políticos.

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