Greve de fome presos políticos Venezuela, com cerca de dez mulheres deitadas em fila na entrada da Zona 7, pede celeridade nas libertações enquanto Assembleia adia votação
Cerca de dez mulheres, entre mães e esposas, iniciaram uma greve de fome em Caracas para pressionar por mais libertações de detidos políticos.
Elas se deitaram em fila na entrada da Zona 7, local onde famílias de presos acampam há mais de um mês, e deixaram uma lista manuscrita com os nomes das grevistas.
O protesto ocorre após novo adiamento da votação de uma proposta de lei de anistia que, segundo apoiadores, pode beneficiar centenas de detentos, conforme informação divulgada pelo g1.
O protesto e as demandas das famílias
De máscara, as mulheres se posicionaram em frente às celas da Polícia Nacional conhecidas como Zona 7, em Caracas, e optaram por intensificar a pressão com um jejum coletivo.
Em declarações à AFP, Evelin Quiaro, mãe de um preso político, afirmou, “Nós exigimos com isso que já se concretize e seja real a libertação de todos. É justo, é justo.”
Outra grevista relatou, “Dormir acalma a fome”, enquanto Quiaro admitiu, “Realmente não estamos preparadas, nunca fiz isso na vida”, sobre a decisão de iniciar a greve.
Libertações recentes e números
Durante a madrugada, 17 presos políticos foram libertados das celas da Zona 7, movimento acompanhado por familiares e por organizações de defesa dos direitos humanos.
De acordo com a ONG Foro Penal, desde 8 de janeiro 431 presos políticos obtiveram liberdade condicional e 644 permanecem na prisão, números citados pelas famílias para exigir mais ações imediatas.
Entre os libertados estava José Elías Torres, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela, que, segundo o Comitê para a Liberdade dos Presos Políticos, estava detido desde novembro sem ordem judicial.
Lei de anistia e impasse político
A proposta de lei de anistia foi apresentada pela presidente interina Delcy Rodríguez, e em teoria abrangeria atos atribuídos ao chavismo nos últimos 27 anos, com a expectativa de promover libertações em massa.
A discussão final no Parlamento foi adiada mais de uma vez por divergências sobre o alcance da anistia e sobre o papel do Poder Judiciário na sua aplicação, e a sessão seguinte foi marcada para 19 de fevereiro.
O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, esteve nas proximidades da Zona 7 em 6 de fevereiro e prometeu, “Vamos reparar todos os erros que tenham sido cometidos”, segundo relato de familiares.
Pressão e próximos passos
As famílias afirmam que a greve de fome é uma “medida drástica” para forçar respostas concretas sobre as liberações, mesmo reconhecendo os riscos para a saúde das participantes.
Sachare Torrez, de 23 anos, declarou, “O que estamos pedindo com isso é que todos sejam libertados, como nos foi prometido”, reforçando o objetivo coletivo do protesto.
Enquanto o debate legislativo continua, as famílias mantêm a mobilização em frente à Zona 7, combinando ações simbólicas, como acorrentamentos anteriores, com o jejum, para tentar acelerar a implementação das promessas de liberdade.
As informações sobre as libertações parciais e os números de detidos foram relatadas e compiladas pelo g1, AFP e organizações de direitos humanos que acompanham o caso.