Familiares de presos políticos iniciaram uma greve de fome em Caracas, deitando-se na entrada da Zona 7 para pressionar o Parlamento e acelerar a votação da lei de anistia que pode libertar centenas de detidos
Cerca de dez mulheres, entre mães e esposas, começaram o protesto de fome na entrada da Zona 7, local onde famílias acampam há mais de um mês, e deixaram uma lista manuscrita com os nomes dos participantes.
Durante a madrugada, 17 presos políticos foram libertados das celas da Polícia Nacional conhecidas como Zona 7, mas ativistas afirmam que centenas ainda aguardam uma definição sobre sua situação.
As famílias exigem celeridade na implementação das liberações anunciadas pela presidente interina Delcy Rodríguez e cobram respostas concretas das autoridades, conforme informação divulgada pelo g1.
O que motivou a ação
A iniciativa, descrita pelas próprias participantes como uma medida drástica, ocorreu após o adiamento da aprovação da lei de anistia, proposta pela autoridade interina em 30 de janeiro. As grevistas dizem que a paralisação do processo legislativo aumentou a angústia das famílias.
A ativista Evelin Quiaro, mãe de um detido, disse que a mobilização busca pressionar por uma solução real, afirmando, "Nós exigimos com isso que já se concretize e seja real a libertação de todos. É justo, é justo."
Números e liberações recentes
Segundo a ONG Foro Penal, desde 8 de janeiro 431 presos políticos obtiveram liberdade condicional e 644 permanecem detidos. Esse balanço tem sido central nas reivindicações das famílias para que o processo de soltura seja ampliado.
Entre os libertados na madrugada estava José Elías Torres, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela, que estava preso sem ordem judicial desde novembro, segundo registros de comitês de defesa de presos políticos.
Conflito político em torno da lei de anistia
A proposta de anistia, que em tese abrangeria 27 anos do período do chavismo e poderia resultar na libertação plena de centenas de detidos, teve a votação final adiada por divergências entre deputados sobre seu alcance e sobre o papel do Judiciário na aplicação da lei.
O presidente do Parlamento, Jorge Rodríguez, chegou a prometer reparações e disse que a lei seria aprovada em 10 de fevereiro, mas a votação foi postergada, e a próxima sessão legislativa foi marcada para 19 de fevereiro.
Pressão nas ruas e próximos passos
As famílias já haviam adotado outras formas de pressão, incluindo acorrentamento em frente à entrada da prisão e acampamentos contínuos. Com a escalada para a greve de fome na Venezuela, elas esperam intensificar a atenção pública e forçar uma resposta imediata do Legislativo.
As grevistas reconhecem o desgaste físico e emocional da medida, e afirmam que a fome é uma forma de forçar o cumprimento das promessas de libertação feitas pelas autoridades, enquanto aguardam as próximas movimentações no Parlamento.