quinta-feira, junho 4, 2026

Greve de fome na Venezuela: familiares de presos políticos iniciam jejum em frente à Zona 7 após novo adiamento da lei de anistia, pressionam Delcy Rodríguez e citam Foro Penal

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Familiares, em sua maioria mulheres, deitaram-se em fila na entrada da Zona 7, prometeram jejum para acelerar libertações e citam que 644 seguem detidos, 17 foram liberados

Familiares de presos políticos iniciaram uma greve de fome na Venezuela em Caracas, com o objetivo de pressionar por mais libertações após o novo adiamento da aprovação de uma lei de anistia.

Cerca de dez mulheres, entre mães e esposas, deitaram-se em fila na entrada da chamada Zona 7, onde familiares acampam há mais de um mês, e deixaram uma lista com os nomes das grevistas.

O protesto ocorre dias depois de 17 presos políticos terem sido libertados durante a madrugada, e em meio à estimativa de que 644 ainda permanecem detidos, conforme informações divulgadas pelo g1.

O protesto e a greve de fome

As mulheres, muitas usando máscaras, prometeram jejum para forçar respostas mais rápidas das autoridades sobre as liberações. Greve de fome na Venezuela é, segundo elas, uma medida drástica, mas necessária para dar visibilidade ao caso.

Evelin Quiaro, 46 anos, mãe de um detido, disse, “Nós exigimos com isso que já se concretize e seja real a libertação de todos. É justo, é justo.” Quiaro afirmou que comeu pela última vez depois da 1h da manhã, biscoitos com presunto, e que nunca tinha feito uma greve desse tipo antes.

Outra grevista, que preferiu não se identificar, disse que muitas tentavam dormir ao amanhecer, porque, nas palavras dela, “Dormir acalma a fome”, e que a intenção é esgotar todas as vias de pressão para obter respostas.

Lei de anistia e números citados

No poder após a queda de Nicolás Maduro em 3 de janeiro em uma intervenção militar americana, Rodríguez propôs uma lei de anistia em 30 de janeiro, cuja discussão final foi adiada duas vezes por divergências sobre seu alcance e o papel do Poder Judiciário.

De acordo com a ONG Foro Penal, desde 8 de janeiro 431 presos políticos obtiveram liberdade condicional e 644 permanecem na prisão. A expectativa de familiares e opositores é que a lei de anistia resulte na libertação plena de centenas de detidos.

Entre os libertados na madrugada estava José Elías Torres, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores da Venezuela, que estava preso desde novembro sem ordem judicial, segundo o Comitê para a Liberdade dos Presos Políticos.

Reações e próximos passos

O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, esteve nas imediações da Zona 7 em 6 de fevereiro e afirmou, “Vamos reparar todos os erros que tenham sido cometidos”, ao se reunir com familiares de detidos por motivos políticos.

A aprovação da lei chegou a ser anunciada para 10 de fevereiro, mas foi novamente adiada por divergências entre deputados, e a próxima sessão legislativa foi marcada para 19 de fevereiro, data em que familiares esperam avanços.

Enquanto aguardam uma definição, os familiares mantêm o acampamento e intensificam a pressão com a greve de fome na Venezuela, exigindo que promessas de libertação sejam cumpridas e pedindo respostas concretas das autoridades, conforme informação divulgada pelo g1.

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