Ouro atinge novos recordes impulsionado por cortes de juros nos EUA e conflito geopolítico entre Washington e Caracas.
A cotação do ouro superou a marca de 4.500 dólares por onça nas negociações asiáticas desta quarta-feira (24), demonstrando força em um cenário global complexo. O metal, tradicionalmente visto como um porto seguro em tempos de instabilidade, acumulou uma valorização de 70% desde o início de 2025.
O movimento de alta não se restringe ao ouro. A prata e o cobre também alcançaram patamares recordes na terça-feira, enquanto a platina atingiu seu maior valor desde maio de 2008. Essa tendência generalizada entre os metais preciosos reflete um comportamento de busca por ativos de menor risco.
Analistas atribuem parte dessa ascensão à crescente tensão geopolítica entre Estados Unidos e Venezuela. A declaração do presidente Donald Trump, considerando “inteligente” a saída de Nicolás Maduro do poder, adicionou um elemento de incerteza regional que favorece o ouro.
Conforme informação divulgada pelo g1, a cotação do ouro chegou a US$ 4.519,78 por onça, o equivalente a R$ 24.940. A expectativa de que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, continue a reduzir as taxas de juros no próximo ano também é um fator crucial para essa performance.
Corte de Juros e Otimismo Econômico nos EUA
A perspectiva de um ciclo de afrouxamento monetário por parte do Fed tem sido um motor importante para os mercados financeiros. A possibilidade de juros mais baixos nos Estados Unidos torna investimentos de renda fixa menos atrativos, direcionando capital para ativos como o ouro.
Apesar disso, os mercados globais têm mostrado uma disposição para fechar o ano em alta. Um otimismo em relação à economia dos Estados Unidos para 2026 tem compensado preocupações recentes com a avaliação de empresas de tecnologia, sinalizando uma confiança crescente na resiliência econômica americana.
Tensões Geopolíticas e o Papel do Ouro como Ativo Refúgio
A escalada das tensões entre Washington e Caracas adiciona uma camada de risco geopolítico que historicamente beneficia o ouro. A declaração de Trump sobre a saída de Maduro do poder, somada a medidas anteriores como o bloqueio a “navios petroleiros sancionados” venezuelanos, intensifica o cenário de incerteza.
A Venezuela, por sua vez, denuncia essas ações como uma tentativa de desestabilização e controle de suas riquezas. Esse embate diplomático e a possibilidade de novas sanções ou confrontos criam um ambiente propício para a valorização de ativos considerados seguros, como o ouro.
Outros Metais Seguem a Onda de Valorização
A força do ouro tem contagiado outros metais. A prata e o cobre registraram máximas históricas, impulsionados pela mesma dinâmica de busca por ativos de valor. A platina, por sua vez, alcançou seu pico de preço desde maio de 2008, refletindo um interesse generalizado em commodities metálicas.
Esses movimentos em conjunto reforçam a ideia de que os investidores estão reavaliando suas carteiras em busca de proteção e valor em um ambiente de incertezas econômicas e geopolíticas, com o ouro liderando essa corrida por segurança.