Líderes do continente contestam avaliação do documento dos EUA e argumentam que a Europa segue atraindo pessoas, gerando prosperidade e promovendo direitos humanos, enquanto mantém diálogo com Washington
Autoridades europeias reagiram com críticas firmes a uma avaliação do governo dos Estados Unidos que diz que a Europa enfrenta um “apagamento civilizacional”. A resposta ocorreu durante a Conferência de Segurança de Munique, onde figuras da União Europeia e do Reino Unido defenderam os valores do continente.
Para os líderes europeus, a imagem de declínio está distante da realidade prática, e a solução passa por diálogo e cooperação, não por rupturas. A discussão envolveu temas como migração, natalidade, liberdade de expressão e políticas climáticas.
O debate surge após o documento de segurança dos EUA de dezembro mencionar uma “perspectiva real e mais dura de apagamento civilizacional”, e teve respostas diretas de autoridades como Kaja Kallas, Marco Rubio e Keir Starmer, conforme informação divulgada pelo g1.
Resposta de Kaja Kallas
A chefe da política externa da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que “Contrariamente ao que alguns dizem, essa Europa ‘woke’ e decadente não está enfrentando um apagamento civilizacional”. Kallas ressaltou que “as pessoas ainda querem se juntar ao nosso clube”, destacando que visitantes e observadores continuam a demonstrar interesse em integrar e aprender com o modelo europeu.
Ela acrescentou que o continente “está promovendo avanços para a humanidade, defendendo direitos humanos e gerando prosperidade”, e classificou como exagerados os ataques generalizados que pintam a Europa como em decadência.
Posicionamento dos EUA e a reação transatlântica
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, procurou amenizar tensões ao dizer que o fim da era transatlântica “não é objetivo nem desejo” dos Estados Unidos, e que “Nossa casa pode estar no hemisfério ocidental, mas sempre seremos filhos da Europa”.
Ao mesmo tempo, Rubio deixou claro que Washington manterá posições firmes em temas como migração, comércio e clima. Observadores do evento notaram que Rubio adotou “um tom menos agressivo do que o vice-presidente J.D. Vance havia usado no mesmo evento no ano anterior”, apesar de defender mudanças na prioridade das políticas americanas.
Defesa das sociedades europeias por Keir Starmer
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, enfatizou que a Europa precisa proteger “as sociedades vibrantes, livres e diversas que representamos”. Segundo Starmer, mostrar que pessoas diferentes podem conviver pacificamente “é justamente o que nos torna fortes”.
Autoridades europeias presentes reafirmaram que seguirão defendendo suas políticas climáticas, a liberdade de expressão e o livre comércio, como pilares que sustentam a credibilidade e a atração internacional do continente.
O que está em jogo e os próximos passos
O confronto de narrativas coloca em evidência um desafio prático, que é conciliar divergências de prioridades entre aliados sem comprometer a cooperação. A Europa rejeita a ideia de um “apagamento civilizacional” e busca transformar o debate em ações conjuntas, enquanto os EUA afirmam manter os laços, porém com agendas mais centradas em interesses domésticos.
No curto prazo, as declarações em Munique indicam que haverá espaço para diálogo, mas também para manutenção de diferenças em políticas migratórias, comerciais e ambientais. A continuidade da aliança transatlântica dependerá de capacidade de ambos os lados de negociar prioridades, sem ceder aos rótulos simplistas que alimentam desconfiança.