Como os blocos para bebês e idosos em São Paulo e Nova Friburgo criaram estrutura, segurança e serviços, transformando inclusão em oportunidade de negócio e renda
Nos últimos carnavais, a folia deixou de ser apenas para quem está no pico da vida, e passou a incluir quem ainda está na primeira infância e quem já viveu muitas décadas.
Com adaptação de estruturas e atenção a detalhes, empreendedores e profissionais de saúde criaram eventos que priorizam conforto, segurança e participação de todos.
No relato sobre essas iniciativas, aparecem investimentos, faturamentos e impacto direto na demanda por serviços, conforme informação divulgada pelo g1
Origem e adaptação para crianças
O surgimento do bloco voltado a crianças pequenas começou em São Paulo, quando o empresário Diogo Rios adaptou um berço para levar o filho de 11 meses ao carnaval e um vídeo viralizou, impulsionando a criação de um bloco estruturado para a primeira infância.
O evento, que hoje reúne cerca de 10 mil pessoas, oferece fraldário, espaço de amamentação, controle do volume do som, pulseirinhas de identificação e escolha de locais com sombra, mostrando que com planejamento é possível unir festa e bem-estar infantil.
O investimento inicial foi de R$ 150 mil, e a receita vem de venda de cotas de patrocínio e parcerias com empresas do setor infantil, além de funcionar como porta de entrada para projetos infantis pagos ao longo do ano, ampliando a geração de renda.
Bloco para idosos e impacto em saúde e serviços
Em Nova Friburgo, a psicopedagoga e gerontomotricista Beatriz Rimes criou um bloco dedicado ao público idoso a partir do seu trabalho com estimulação cognitiva em uma instituição de longa permanência.
A primeira edição, em 2025, destacou o protagonismo dos idosos, que envolveram suas famílias e participaram com alegria, incluindo um senhor de 96 anos que se divertiu durante o desfile.
O bloco contou com voluntários para auxílio na locomoção, pontos de água filtrada, áreas de descanso, trajeto planejado para evitar desgaste e uma van da ILPI parceira, garantindo mais segurança e conforto aos participantes.
Depois do desfile, a clínica de Beatriz registrou um aumento de cerca de 150% no faturamento, com maior procura por atividades de estimulação cognitiva e serviços focados em envelhecimento saudável, mostrando o potencial econômico dessas iniciativas.
Modelo de negócio e lições para empreendedores
As experiências com blocos para bebês e idosos mostram que adaptação e serviços específicos podem transformar inclusão em negócio viável, com retorno financeiro e impacto social.
Além do faturamento direto no mês de carnaval, como o caso que chega a faturar R$ 70 mil, os eventos servem como vitrine para serviços durante o ano, fortalecendo parcerias com empresas e instituições de longa permanência.
Fraldário, sombra, controle de som, pontos de hidratação e apoio logístico são exemplos de medidas que aumentam a participação e a segurança, e que podem ser replicadas por quem deseja criar eventos inclusivos e sustentáveis.
Como disse uma participante de 64 anos durante as atividades, “Envelhecer é obrigatório, mas ficar velho é opcional”, frase que resume o protagonismo buscado por quem participou das folias adaptadas.