quinta-feira, junho 4, 2026

Riquezas naturais da Venezuela além do petróleo, ferro, bauxita, ouro e coltan: reservas bilionárias, terras raras e riscos ambientais que atraem interesse internacional

Share

Depósitos em Guayana, no Arco Mineiro e em Cerro Impacto somam ferro, bauxita, ouro, coltan e terras raras, com impacto econômico, ambiental e geopolítico

A Venezuela é conhecida mundialmente pelo petróleo, mas o subsolo do país guarda outras riquezas naturais de grande valor estratégico.

Há registros de grandes jazidas de ferro, bauxita, ouro, coltan, terras raras, além de cobre, níquel e carvão, concentradas sobretudo no sudeste do país.

Estas informações e dados foram levantados por reportagem da BBC News Mundo e reproduzidos pelo g1, conforme informação divulgada pela BBC News Mundo e pelo g1.

Mapa das reservas e números que chamam atenção

O terreno venezuelano acomoda, segundo levantamentos citados, cerca de 300 bilhões de barris de petróleo, principalmente extra pesado, um volume que supera os 260 bilhões atribuídos à Arábia Saudita.

Além do petróleo, o Centro Internacional de Investimentos Produtivos, ligado à vice-presidência da Venezuela, aponta que o país detém a oitava maior reserva mundial de ferro, com 14,721 bilhões de toneladas do metal</b.

Há também mais de 321 milhões de toneladas de bauxita, e o ouro é estimado entre 2,2 mil e 8 mil toneladas, números que, se confirmados, colocariam a Venezuela entre as maiores reservas do planeta.

Terras raras, coltan e o valor estratégico para tecnologia

Relatórios e estudos antigos detectaram terras raras em regiões como Cerro Impacto, entre Bolívar e Amazonas, embora o volume seja ainda incerto por falta de estudos recentes.

O Serviço Geológico dos Estados Unidos, o USGS, mencionou a presença de tório, nióbio e tântalo em estudos de 1990, mas não inclui a Venezuela entre depósitos confirmados por falta de dados.

O coltan, mistura de columbita e tantalita muito usada em componentes eletrônicos, tem sido tratado como potencial bilionário. Em discurso no parlamento, Hugo Chávez afirmou, em 2010, que “As reservas de coltan na Venezuela, em uma avaliação muito preliminar, podem se aproximar de US$ 100 bilhões”.

A primeira exportação formal registrada, segundo relatos, foi de cinco toneladas em 2018, pelo valor de US$ 330 mil, e desde então há denúncias de contrabando crescente.

Arco Mineiro, ouro e um plano B para a economia

Com a queda da produção petrolífera, o governo venezuelano lançou em 2016 o Arco Mineiro do Orinoco, uma região de mais de 110 mil km², o que equivale a 12% do território da Venezuela, para explorar minerais, especialmente ouro.

Pesquisadores e analistas alertam que a mineração se expandiu sem controle, gerando exploração informal, danos ambientais e conflitos com comunidades indígenas.

Os números da extração revelam um salto na produção de ouro, avaliada em cerca de 40 a 50 toneladas por ano, o que representaria entre US$ 2,7 bilhões a US$ 3,3 bilhões, segundo fontes nacionais e internacionais mencionadas.

Organizações civis, como a Transparência Venezuela, denunciaram que apenas 8% do ouro explorado entraria no Banco Central a título de royalties, 6% por autorizações de exportação, cerca de 20% ficaria com organizações criminosas, e 66% com alianças vinculadas à elite política.

Na esfera oficial, a presidente interina Delcy Rodríguez afirmou que o ouro “mantém o serviço exterior” e informou que foram extraídas 9,5 toneladas do metal em 2025.

Interesse internacional e riscos ambientais e sociais

As riquezas minerais da Venezuela despertaram atenção externa. Autoridades americanas sinalizaram interesse, e, em novembro de 2025, o USGS incluiu bauxita, níquel, cobre e carvão na lista de minerais críticos para a economia dos Estados Unidos.

O diretor do USGS, Ned Mamula, afirmou, segundo a fonte, “Os minerais críticos sustentam indústrias que valem trilhões de dólares e a dependência da importação coloca setores fundamentais em risco”.

No plano local, especialistas como o geólogo Gustavo Coronel destacam, em citação, “Na Venezuela, o petróleo não é o único recurso mineral importante. Existem também outros e uma minoria deles começou a ser explorada”.

Coronel também advertiu que “Ninguém sabe, nem mesmo o governo, qual o volume das reservas comprovadas de ouro, já que sua exploração é muito desordenada e não houve mais estudos a respeito”.

O sociólogo Emiliano Terán Mantovani acrescentou à lista de minerais relevantes “diamantes, coltan, níquel, cobre e carvão”, e alertou para a expansão do crime organizado e para alianças com setores militares que lucraram com a mineração.

O cenário combina potencial econômico, falta de dados confiáveis, infraestrutura limitada, problemas jurídicos e risco de impactos ambientais e sociais severos em áreas de floresta densa e em territórios indígenas.

Especialistas citados na reportagem avaliam que, mesmo com reservas promissoras, transformar a Venezuela em fornecedor confiável de minerais de alta tecnologia exige estudos, infraestrutura e segurança jurídica, condições que atualmente ainda são incertas.

Leia Mais

Fique por dentro