quinta-feira, junho 4, 2026

Mercosul e China: Brasil avalia acordo parcial e abre negociações comerciais depois de tarifas dos EUA, Lula e Xi Jinping, desafios do Paraguai e Argentina

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Brasil avalia pacto parcial com a China, focado em cotas, regras sanitárias e procedimentos alfandegários, em resposta a tarifas dos EUA e busca por diversificação

O governo brasileiro passou a considerar, pela primeira vez, a possibilidade de um acordo comercial parcial entre o Mercosul e a China, em resposta a mudanças recentes no comércio global.

A iniciativa marcará uma mudança na postura histórica do Brasil, que vinha vetando negociações formais com Pequim para proteger a indústria nacional, e surge em meio a pressões externas, especialmente tarifas impostas pelos Estados Unidos.

O movimento interno do Executivo avalia que um pacto restrito a setores e faixas tarifárias, com avanços em cotas e procedimentos, pode abrir mercado na China sem comprometer toda a indústria regional, conforme informação divulgada pelo g1.

Mudança de postura e argumentos do governo

Fontes do governo disseram que a decisão reflete um “novo cenário global”, e que há necessidade de diversificar parceiros comerciais. Um integrante do governo afirmou, de forma direta, "Precisamos diversificar nossos parceiros", citando a sensibilidade do tema.

Segundo a reportagem, dois integrantes do governo consideram que um acordo parcial entre Mercosul e China pode avançar no longo prazo, diante das tarifas dos EUA, que têm redesenhado o comércio global e as alianças econômicas.

O texto apontou ainda que os investimentos chineses na produção brasileira cresceram nos últimos anos, e que o governo tem interesse em preservar esse movimento, mesmo mantendo cautela quanto a um acordo amplo.

O que poderia constar num acordo parcial

Fontes consultadas indicaram que, em vez de um tratado amplo, o bloco poderia avançar em pontos definidos, criando espaço relevante no mercado chinês.

Em suas palavras, "o bloco poderia avançar em temas como cotas de importação, procedimentos alfandegários e regras sanitárias e de segurança", conforme informação divulgada pelo g1, possibilidades que permitiriam abrir parcelas do comércio sem exposição total da indústria local.

Representantes afirmaram também que ainda é cedo para listar os setores que entrariam no acordo, descrevendo o tema como "altamente complexo", e que negociações parciais poderiam incluir combinações de cotas, salvaguardas e regras técnicas.

Obstáculos políticos e regionais

Qualquer avanço depende de consenso entre os países do Mercosul, o que eleva a complexidade das negociações. O Paraguai mantém relações diplomáticas com Taiwan, fato que complica um acordo com a China, embora não o inviabilize.

Conforme a reportagem, "Em 2025, o Paraguai importou US$ 6,12 bilhões em mercadorias da China", dado que mostra a magnitude dos laços comerciais locais e a importância do diálogo em curso.

O presidente paraguaio, Santiago Peña, afirmou que não se opõe a um acordo, desde que seja respeitado o direito do país de manter relações diplomáticas com Taiwan, e destacou que "Se existe hoje um bloco capaz de negociar com qualquer país ou grupo, esse bloco é o Mercosul", em entrevista citada pelo g1.

Especialistas apontam ainda que a política externa dos Estados Unidos, sob a administração anterior, impulsionou uma nova dinâmica regional, e que isso pode ter estimulado a China a buscar acordos comerciais na América Latina. Ignacio Bartesaghi afirmou que "Há uma nova dinâmica regional no comércio, impulsionada principalmente por Trump", e que "Ideias que antes pareciam completamente travadas agora podem avançar", conforme declarado ao g1.

Próximos passos e sinais para o mercado

Apesar de a China e integrantes do Mercosul demonstrarem interesse em acelerar discussões, chancelerias e ministérios ainda não formalizaram propostas, e Pequim não respondeu imediatamente a pedidos de comentário, segundo a matéria.

Analistas afirmam que um acordo parcial, com mecanismos de proteção e listas setoriais, seria a alternativa mais viável no médio prazo, ao mesmo tempo em que exige negociação fina entre Brasília, Buenos Aires, Assunção e Montevidéu.

O desfecho dependerá da construção de consenso no Mercosul, da capacidade de combinar abertura comercial com salvaguardas e da evolução das pressões externas, especialmente relacionadas às tarifas dos EUA, fatores que seguirão no centro do debate regional, conforme informação divulgada pelo g1.

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