No exercício militar no Estreito de Ormuz, a Guarda Revolucionária afirmou que manobras visam ‘testar a prontidão diante de possíveis ameaças de segurança e militares’, enquanto delegações se reúnem em Genebra
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã realizou novas manobras navais no Estreito de Ormuz na véspera de um encontro entre negociadores iranianos e norte-americanos, marcado para terça-feira em Genebra.
Segundo comunicado divulgado pela Marinha da Guarda Revolucionária, o objetivo foi verificar a capacidade de resposta diante de ‘possíveis ameaças de segurança e militares’, conforme reportagem publicada pelo g1.
As manobras ocorrem em um momento de escalada, com presença naval dos Estados Unidos na região e conversas diplomáticas para tentar limitar o programa nuclear iraniano, conforme informação divulgada pelo g1.
O que aconteceu no Estreito de Ormuz
Fontes oficiais iranianas, citadas pela agência Tasnim, disseram que o exercício teve o propósito de testar prontidão e coordenação das forças navais. A atuação da Guarda Revolucionária ocorre um dia antes do novo encontro entre negociadores do Irã e dos EUA em Genebra.
Analistas consideram que manobras no Estreito de Ormuz tendem a elevar a tensão, porque a região é sensível para o tráfego de energia. Aproximadamente 30% do volume mundial de petróleo passa pelo local, tornando qualquer atividade militar motivo de preocupação para navios mercantes e governos.
Contexto das negociações entre EUA e Irã
Os Estados Unidos e o Irã retomaram conversas para tentar limitar o programa nuclear iraniano, após uma primeira rodada realizada em Omã no dia 6 de fevereiro, que foi descrita como de ‘atmosfera muito positiva’ pelo chanceler iraniano Abbas Araqchi.
Apesar do diálogo, há diferenças marcantes: Washington exige a suspensão dos programas nuclear e de mísseis e o fim do apoio a grupos armados na região, enquanto Teerã declara que está disposto a negociar apenas seu programa nuclear.
Em pronunciamentos recentes, autoridades iranianas afirmaram disposição para abrir mão de parte do estoque nuclear em troca do fim das sanções, e também aceitar inspeções da AIEA, mas rejeitam ‘exigências excessivas’ dos EUA. A Agência Internacional de Energia Atômica, AIEA, informou que ‘o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto do nível de uma bomba nuclear’.
Incidentes anteriores e postura militar
Exercícios anteriores da Guarda Revolucionária, entre o final de janeiro e início de fevereiro, já aumentaram a tensão. Em duas ocasiões separadas, militares iranianos testaram reações americanas: um drone Shahed-139 foi abatido próximo ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, e dois barcos iranianos tentaram interceptar um petroleiro dos EUA, sendo repelidos.
Os Estados Unidos mantêm grupos de ataque posicionados na região, incluindo o grupo do porta-aviões USS Abraham Lincoln, e recentemente enviaram o USS Gerald Ford para reforçar a presença naval. O presidente dos EUA, Donald Trump, tem alternado entre expectativa por um acordo e ameaças de ‘medidas muito duras’ caso as negociações fracassem.
Riscos e possíveis desdobramentos
Especialistas alertam que novas manobras no Estreito de Ormuz podem provocar reações em cadeia, afetar o tráfego marítimo e pressionar preços do petróleo. A região segue sendo ponto crítico de interações militares e diplomáticas entre Irã e Estados Unidos.
Com a rodada de conversas marcada para Genebra, o desfecho das negociações e o comportamento das forças navais nas próximas semanas serão determinantes para reduzir ou intensificar o risco de confrontos na região.
Informações sobre as manobras, os incidentes e os dados nucleares foram relatadas ao público por veículos e agências citadas nas matérias originais, conforme informação divulgada pelo g1.