Manobras da Guarda Revolucionária no Estreito de Ormuz, segundo comunicado, servem para testar prontidão diante de possíveis ameaças e ocorrem um dia antes do encontro entre negociadores iranianos e norte-americanos em Genebra, aumentando apreensão internacional
O Irã realizou um novo exercício militar no Estreito de Ormuz na véspera de uma rodada de negociações entre Teerã e Washington, marcada para terça e quarta-feira em Genebra.
A Marinha da Guarda Revolucionária afirmou que os exercícios têm como objetivo testar a prontidão diante de “possíveis ameaças de segurança e militares“, informação divulgada por agências iranianas, segundo a Tasnim.
conforme informação divulgada pelo g1
O que dizem as autoridades e o objetivo do exercício
Segundo comunicado citado pela Tasnim, as manobras da Guarda Revolucionária focaram em avaliar resposta a cenários de ameaça e em aumentar a prontidão operacional.
Esta é a segunda vez na atual escalada de tensões que o braço militar mais forte do regime de Ali Khamenei realiza exercícios no Estreito de Ormuz, área sensível por onde passa cerca de 30% do volume mundial de petróleo, segundo levantamento citado pela reportagem.
Negociações EUA-Irã e o calendário em Genebra
O novo exercício ocorre um dia antes do encontro entre negociadores dos EUA e do Irã em Genebra, programado para terça, 17, e quarta-feira, 18, para retomar as tratativas sobre o programa nuclear.
As negociações vêm na esteira da primeira rodada, realizada no Omã em 6 de fevereiro, quando o chanceler iraniano Abbas Araqchi disse que o encontro teve uma “atmosfera muito positiva“.
Tensão militar e ameaças declaradas
Nos últimos episódios, confrontos e testes aumentaram a tensão, incluindo o abate de um drone Shahed-139 perto do porta-aviões USS Abraham Lincoln e a tentativa de dois barcos iranianos de interceptar um petroleiro dos EUA, segundo relatos anteriores.
Os Estados Unidos, por sua vez, mantêm grupos de ataque de porta-aviões na região, incluindo o USS Abraham Lincoln e o USS Gerald Ford, enviados como demonstração de força. O presidente dos EUA, Donald Trump, alterna sinais de abertura a negociações com ameaças de “medidas muito duras” caso um acordo não seja alcançado.
Programas nucleares, inspeções e sanções
As diferenças entre Washington e Teerã permanecem grandes, com os EUA exigindo o fim de programas nuclear e de mísseis e a interrupção do apoio iraniano a grupos armados, enquanto o regime de Khamenei diz que negociará apenas o programa nuclear.
Em comunicado recente citado na cobertura, a principal autoridade nuclear do Irã afirmou que o país está disposto a diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções. Segundo a AIEA, o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, um nível próximo ao necessário para uma arma nuclear.
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, disse que o país aceita “inspeções” da AIEA para demonstrar o caráter pacífico do programa, mas afirmou que não cederá a “exigências excessivas” dos EUA.
O novo exercício militar no Estreito de Ormuz, portanto, se soma a um conjunto de ações que aumentam a complexidade das negociações e elevam o risco de incidentes em uma rota estratégica para a economia global.