Guarda Revolucionária afirma que os exercícios no Estreito de Ormuz servem para testar prontidão diante de “possíveis ameaças de segurança e militares”, enquanto Washington e Teerã voltam a negociar
O Irã executou um novo exercício militar no Estreito de Ormuz, a passagem marítima estratégica por onde circula grande parte do comércio de petróleo global, a um dia do encontro entre negociadores iranianos e norte-americanos em Genebra.
A Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, o braço militar mais poderoso do regime de Ali Khamenei, afirmou que as manobras têm como objetivo testar a prontidão diante de “possíveis ameaças de segurança e militares”, conforme comunicado divulgado pela agência Tasnim.
As informações sobre a operação e o contexto diplomático foram relatadas, conforme informação divulgada pelo g1
O que dizem os militares e o risco na região
Segundo a nota militar, os exercícios foram planejados para avaliar reação e capacidade de resposta das forças iranianas diante de cenários considerados de risco. A escolha do Estreito de Ormuz para as manobras aumenta a atenção internacional, porque a região é sensível, e cerca de 30% do volume mundial de petróleo passa por ali.
Analistas avisam que operações militares nessa rota tendem a escalar tensões, já que Estados Unidos e Irã mantêm presença naval extensa no Golfo Pérsico. Os EUA, que têm navios de guerra posicionados na região, não haviam se manifestado publicamente sobre as novas manobras até a última atualização da reportagem.
Incidentes anteriores e preocupações americanas
Esta é a segunda rodada de exercícios da Guarda Revolucionária no Estreito de Ormuz durante a atual escalada com os EUA. Em manobras anteriores, no final de janeiro e início de fevereiro, ocorreram dois episódios que agravaram a tensão regional.
Nos eventos relatados, um drone Shahed-139 foi abatido próximo ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, e, em outro incidente, dois barcos iranianos tentaram interceptar um petroleiro dos EUA, mas foram repelidos. Fontes militares americanas já haviam alertado para risco de escalada após aquelas manobras.
Negociações nucleares e posições de Teerã e Washington
O novo exercício ocorre pouco antes do encontro em Genebra entre negociadores do Irã e dos Estados Unidos, marcado para terça e quarta-feira, com o objetivo de retomar tratativas sobre limitações ao programa nuclear iraniano. A primeira rodada entre os dois países ocorreu em Omã, em 6 de fevereiro, e, segundo autoridades iranianas, teve uma “atmosfera muito positiva”.
Apesar do diálogo, os pontos de divergência permanecem. Washington exige que o Irã encerre seus programas nuclear e de mísseis e interrompa o apoio a grupos armados na região, enquanto o regime de Khamenei diz que pretende negociar apenas questões nucleares.
Autoridades iranianas também declararam disposição para medidas como diluir o estoque de urânio enriquecido em troca do levantamento de sanções, e o país declarou estar pronto para permitir “inspeções” da AIEA para demonstrar caráter pacífico do seu programa, mas rejeita ceder a “exigências excessivas”.
Dados-chave e sinais de tensão
Em dados citados pelas agências, a AIEA aponta que o Irã tem cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, um nível próximo ao necessário para arma, segundo as autoridades internacionais. Do lado americano, o presidente Donald Trump alterna sinais de abertura para um acordo com advertências duras, e já afirmou que, se as negociações fracassarem, aplicará “medidas muito duras” contra o regime.
Na prática, Washington reforçou sua presença naval na região, incluindo grupos de ataque com porta-aviões como o USS Abraham Lincoln e o USS Gerald Ford, em uma demonstração de força que aumenta o risco de confronto direto caso incidentes se repitam.
O cenário combina pressão diplomática e demonstrações militares, com o Irã usando exercícios no Estreito de Ormuz para comunicar capacidade de resposta, e com os EUA mantendo capacidade de projeção, enquanto as negociações em Genebra buscam uma saída política para o impasse nuclear.