quinta-feira, junho 4, 2026

Gisèle Pelicot recomeça aos 73, encontra amor após julgamento de estupro do ex-marido, revela ‘descida ao inferno’ e critica ‘julgamento da covardia’

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Aos 73 anos, Gisèle Pelicot diz que ‘algo explodiu dentro de mim’, ela revela ter aberto mão do anonimato, enfrentado 50 homens no tribunal e hoje tenta reconstruir a vida

Gisèle Pelicot fala de traição, sofrimento familiar e cura, ela conta que a descoberta das imagens a fez sentir que “foi como um tsunami”, e descreve a sequência de decisões que levaram ao maior julgamento de estupro já ocorrido na França.

Ao rever as fotos mostradas pela polícia, ela recorda que “não me reconheci”, uma reação que marcou o início de sua “descida ao inferno” e desencadeou quatro meses de audiência pública em Avignon, com ampla cobertura da imprensa.

Hoje, após a condenação, ela diz estar se curando e ter encontrado um novo amor, mostrando que escolheu seguir pelo que chama de “o caminho certo” para reconstruir a vida.

conforme informação divulgada pelo g1

A descoberta e a ‘descida ao inferno’

Gisèle Pelicot lembra o dia em que foi à delegacia com o marido, quando um policial lhe mostrou imagens de uma mulher desacordada, deitada na cama, e disse que ela havia sido violentada repetidamente por dezenas de homens.

Ela relatou que, ao ver as fotos, “algo explodiu dentro de mim”, e definiu o choque como “como um tsunami”. A polícia informou que o marido havia filmado, rotulado e catalogado vídeos em um disco rígido, mas muitos autores não foram identificados.

A partir dessa descoberta, Pelicot conta que recebeu aconselhamento para não ficar sozinha, e que telefonar para os três filhos foi uma das ações mais difíceis que ela já tomou, pois cada reação revelou o tamanho do impacto na família.

O julgamento público, a escolha e a reação social

Em vez de optar por um julgamento a portas fechadas e anonimato, ela decidiu abrir a audiência ao público, porque entendeu que o sigilo beneficiaria os réus, deixando-a em minoria contra dezenas de acusados e advogados.

Pelicot disse que carregou a vergonha por anos e que abrir o processo era também uma mensagem para outras vítimas, “Poderia dar a elas um pouco da força que encontrei em mim”, ela afirmou ao justificar a decisão.

Durante os quatro meses do julgamento em 2024, ela enfrentou insinuações e acusações de cumplicidade, que ela definiu como humilhação, e chamou o episódio de “julgamento da covardia”. Mesmo assim, a presença massiva de apoiadoras e a cobertura jornalística lhe deram o que ela chamou de “força inacreditável”.

Condenações, perguntas sem resposta e o impacto familiar

Os sete juízes consideraram todos os réus culpados, o ex-marido, Dominique Pelicot, foi condenado a 20 anos de prisão, e os outros cerca de 50 homens receberam penas entre cinco e 15 anos de detenção.

As revelações abalaram a família, especialmente a filha Caroline, que se sentiu “vítima esquecida” após fotos dela terem sido encontradas no computador do pai. Gisèle reconheceu que a reconstrução levou tempo, e afirmou que não teve rancor, mas se sentiu traída e afrontada.

Novas investigações incluíram uma tentativa de estupro reconhecida pelo ex-marido e apurações sobre a morte de uma corretora em 1991, caso que Dominique nega, e que Gisèle teme que a leve a uma “nova descida ao inferno” caso ele seja responsabilizado por esse crime.

Reconstrução, novo amor e busca por respostas

Depois do julgamento, Gisèle se mudou para a Île de Ré, e em 2023 conheceu Jean-Loup, um viúvo com valores semelhantes, e ela diz que “teve este golpe de sorte” ao encontrar um companheiro, acrescentando que “a vida sempre revela belas surpresas”.

Apesar da reconstrução, ela mantém perguntas, e pretende visitar o ex-marido na prisão, para tentar encarar o homem que a traiu e perguntar sobre o que aconteceu com a filha do casal e sobre o caso de assassinato em investigação.

Pelicot declarou que, para viver, precisou acreditar que os 50 anos ao lado do ex-marido “não foram apenas uma mentira”, pois aceitar o contrário seria como deixar de existir, e ela conclui que sempre escolheu “andar na direção do bem”.

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