Crescimento da presença naval e aérea americana na área do Golfo aparece em imagens públicas e enche as negociações EUA-Irã de tensão, com rastreamento de navios e movimento de aeronaves
Nos últimos dias, imagens de satélite e comunicados militares mostraram um movimento mais intenso de embarcações e aviões americanos no Oriente Médio, em um contexto de conversas entre Washington e Teerã.
O reforço inclui um porta-aviões nuclear, destróieres, navios de combate costeiro e um aumento no número de caças e aeronaves de apoio, segundo análises de imagens públicas.
As reuniões entre autoridades americanas e iranianas ocorreram na Suíça nesta terça-feira, e as forças em campo permanecem em alta prontidão, conforme informação divulgada pelo g1.
Localização do USS Abraham Lincoln e composição do grupo de ataque
A bordo do grupo de ataque, o porta-aviões USS Abraham Lincoln foi localizado por imagens públicas, a BBC o posicionou no Mar Arábico, a cerca de 240 km da costa de Omã, enquanto o navio foi inicialmente reportado como tendo sido enviado para a região no fim de janeiro e situado na costa de Omã, a cerca de 700 km do Irã, conforme as diferentes apurações por satélite e relatos militares.
O Abraham Lincoln transporta 90 aeronaves e 5.680 tripulantes, e forma um grupo de ataque acompanhado por três destróieres da classe Arleigh Burke, de acordo com as informações divulgadas.
A movimentação amplia um reforço que a equipe de verificação da BBC tem registrado nas últimas semanas, com a identificação de 12 navios americanos no teatro de operações, entre eles destróieres com capacidade de mísseis de longo alcance, navios especializados para combate próximo à costa e unidades posicionadas no Golfo Pérsico, no Mar Vermelho e no Mediterrâneo Oriental.
Movimentos aéreos e logística de apoio
Além dos navios, houve aumento no deslocamento de aeronaves, com destaque para o acréscimo no número de caças F-15 e EA-18 estacionados na base de Muwaffaq Salti, na Jordânia.
Foram observados também mais aviões de carga, reabastecimento e comunicações vindo dos Estados Unidos e da Europa para o Oriente Médio, o que sustenta a capacidade de manter operações aéreas por períodos mais longos.
Autoridades americanas divulgaram imagens do Comando Central em 6 de fevereiro mostrando o Abraham Lincoln escoltado por destróieres, caças, aeronaves de vigilância e navios da guarda costeira, em aparente demonstração de capacidade militar.
Resposta do Irã e avaliação de especialistas
Em reação ao movimento americano, a Guarda Revolucionária Islâmica lançou, no dia 16 de fevereiro, um exercício naval no Estreito de Ormuz, com lançamento de mísseis a partir de embarcações e a presença do comandante Mohammad Pakpour, que foi visto sobrevoando a Ilha de Kharg.
O especialista em inteligência militar Justin Crump avaliou que os preparativos dos EUA no Oriente Médio demonstram “mais profundidade e sustentabilidade” do que ações anteriores, como as realizadas na Venezuela ou na operação contra instalações iranianas no ano anterior.
Crump afirmou, segundo a apuração, que “O que estamos vendo não é apenas preparação para ataques, mas sim uma estratégia de dissuasão mais ampla, capaz de ser ampliada ou reduzida“, e que a disposição de forças permitiria um “ritmo de ataques bastante intenso e sustentado” de cerca de 800 missões por dia, com o objetivo de tornar quaisquer respostas iranianas “ineficazes“.
Além do Abraham Lincoln, há relatos de que o USS Gerald R. Ford, o maior navio de guerra dos EUA, foi enviado ao Caribe e pode chegar ao Oriente Médio nas próximas semanas, o que reforçaria ainda mais a presença naval americana na região.
O cenário combina demonstrações militares e diplomacia, com negociações sobre o programa nuclear iraniano e sanções em paralelo aos movimentos navais e aéreos observados.