Investigação da Comissão Europeia vai apurar se a Shein permitiu venda de itens proibidos, possível circulação de material de abuso sexual infantil e práticas de design que incentivam o vício
A União Europeia abriu uma investigação formal sobre a varejista online Shein, em um movimento que intensifica o escrutínio da plataforma sob a Lei de Serviços Digitais.
A apuração da Comissão Europeia examinará se os sistemas da Shein limitam adequadamente a venda de produtos ilegais, incluindo possíveis materiais de abuso sexual infantil, e se o design da plataforma pode ter impacto negativo no bem-estar dos usuários.
As medidas vêm depois de um pedido da França para coibir a venda de bonecas sexuais com aparência infantil na plataforma, e da interrupção global das vendas desse tipo de produto pela Shein, conforme informação divulgada pelo g1.
O que motivou a investigação
A decisão da UE foi tomada com base na Lei de Serviços Digitais, que exige que plataformas online atuem para combater conteúdos ilegais e prejudiciais. A França havia solicitado ação em novembro, diante da oferta de bonecas sexuais com aparência infantil na Shein.
A investigação segue a suspensão, pela Shein, da venda de todas as bonecas sexuais em todo o mundo, medida anunciada após as críticas e o pedido das autoridades francesas.
Que pontos serão avaliados pela Comissão
A apuração irá analisar, entre outros aspectos, os sistemas que a Shein implementou na União Europeia para limitar a venda de produtos ilegais, possíveis materiais de abuso sexual infantil, a transparência dos sistemas de recomendação e o chamado design viciante.
Em particular, a Comissão quer verificar se mecanismos como a concessão de pontos ou recompensas por engajamento, e as recomendações algorítmicas de produtos, podem afetar negativamente o bem-estar dos usuários.
Posição da UE e declaração oficial
Em comunicado, a chefe de tecnologia da UE, Henna Virkkunen, afirmou, “A Lei dos Serviços Digitais mantém os consumidores seguros, protege seu bem-estar e os capacita com informações sobre os algoritmos com os quais estão interagindo. Avaliaremos se a Shein está respeitando essas regras e sua responsabilidade”, mostrando que a investigação terá foco tanto em conteúdo ilegal quanto em práticas algorítmicas.
Resposta da Shein e medidas adotadas
A empresa disse que continuará a cooperar com os reguladores europeus e que investiu em medidas para reforçar a conformidade com a legislação da UE, incluindo avaliações de risco sistêmico e estruturas de mitigação, e o reforço da proteção dos usuários mais jovens.
A Shein declarou, “Além do aprimoramento das ferramentas de detecção, também aceleramos a implementação de salvaguardas adicionais em torno de produtos com restrição de idade”, e que está implementando verificação de idade para impedir que menores visualizem ou comprem produtos restritos.
Fontes citam ainda que a investigação da Comissão, anunciada em 17 de fevereiro de 2026, também mira a transparência dos sistemas de recomendação utilizados para propor conteúdos e produtos aos usuários, e avaliará se as práticas da Shein ampliam riscos para consumidores e menores.