quinta-feira, junho 4, 2026

Shein investigada pela UE por venda de produtos ilegais e design viciante, fiscalização sob a Lei dos Serviços Digitais por riscos a menores e algoritmos

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A Comissão Europeia vai avaliar se a plataforma Shein toma medidas eficazes para bloquear produtos ilegais, evitar materiais de abuso sexual infantil e limitar mecanismos que podem tornar o aplicativo viciante

A União Europeia abriu uma investigação formal contra a varejista online chinesa Shein, por suspeitas de venda de produtos ilegais e por preocupações com o design da plataforma que pode incentivar comportamentos viciantes.

A apuração aumenta o escrutínio sobre a aplicação da Lei dos Serviços Digitais no bloco, que exige que plataformas digitais atuem para combater conteúdos ilegais e prejudiciais e melhorem a transparência de algoritmos.

Entre as questões levantadas está a venda de bonecas sexuais com aparência infantil, um caso que motivou pedidos de ação de autoridades nacionais e europeias, e também as mecânicas de pontos e recompensas que podem afetar o bem-estar dos usuários.

conforme informação divulgada pelo g1

O que a investigação vai apurar

A Comissão Europeia disse que vai examinar os sistemas que a Shein implementou na União Europeia para limitar a venda de produtos ilegais, incluindo possíveis materiais de abuso sexual infantil.

Também será verificado o design da plataforma, com foco em elementos que concedem pontos ou recompensas pelo engajamento e que podem ter impacto negativo no bem-estar dos usuários.

A transparência dos sistemas de recomendação usados para propor conteúdos e produtos aos usuários também estará no centro do escrutínio.

Posição da Comissão e declarações oficiais

Henna Virkkunen, chefe de tecnologia da UE, destacou a finalidade da lei ao explicar a investigação. Em nota, ela afirmou, “A Lei dos Serviços Digitais mantém os consumidores seguros, protege seu bem-estar e os capacita com informações sobre os algoritmos com os quais estão interagindo. Avaliaremos se a Shein está respeitando essas regras e sua responsabilidade“.

A Comissão já havia sinalizado a possibilidade de investigação no mês anterior, após pedidos de autoridades nacionais, em particular da França, que solicitou ação contra a plataforma por anúncios de bonecas sexuais com aparência infantil.

Reação da Shein e medidas anunciadas

A Shein informou que vai cooperar com o organismo regulador europeu e afirmou ter investido em medidas para reforçar a conformidade com a legislação da UE.

A empresa disse que realizou avaliações de risco sistêmico e estabeleceu estruturas de mitigação, além de reforçar a proteção de usuários mais jovens.

Em comunicado, a Shein afirmou, “Além do aprimoramento das ferramentas de detecção, também aceleramos a implementação de salvaguardas adicionais em torno de produtos com restrição de idade“, citando medidas de verificação de idade para impedir que menores visualizem ou comprem produtos com restrição.

O texto da reportagem registra ainda que, desde então, a Shein interrompeu a venda de todas as bonecas sexuais em todo o mundo.

Contexto e próximos passos

A investigação coloca a Shein e concorrentes, como a Temu, no centro de um debate mais amplo sobre o fluxo de produtos importados para a Europa, segurança do consumidor e a responsabilidade das plataformas digitais.

Se a apuração identificar falhas, a Comissão Europeia pode impor medidas corretivas, que vão desde ordens para ajustar sistemas até multas previstas na Lei dos Serviços Digitais, dependendo da gravidade das violações.

As conclusões iniciais da investigação deverão ser acompanhadas por observadores e pelo mercado, e a Shein disse que continuará a cooperar com as autoridades enquanto ajusta suas políticas e ferramentas de moderação e verificação.

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