Com base na Lei dos Serviços Digitais, a Comissão Europeia vai avaliar se os sistemas da Shein limitam vendas ilegais, protegem menores e revelam como funcionam as recomendações e recompensas
A União Europeia abriu uma investigação formal à varejista online Shein, por suspeitas de venda de produtos ilegais e por preocupações com o design potencialmente viciante da plataforma.
A apuração, anunciada em 17 de fevereiro de 2026, colocará em análise desde a venda de produtos com restrição de idade até a transparência dos algoritmos de recomendação e os mecanismos de pontos ou recompensas.
As medidas seguem um pedido feito pela França após denúncias sobre bonecas sexuais com aparência infantil e a suspensão global da venda desses itens pela Shein, conforme informação divulgada pelo g1
O que a investigação vai apurar
A Comissão Europeia informou que examinará os sistemas da Shein implementados na União Europeia para limitar a venda de produtos ilegais, incluindo possíveis materiais de abuso sexual infantil.
Outro foco será o chamado design viciante, em que o uso de pontos, recompensas ou outros incentivos pode ter impacto negativo no bem-estar dos usuários, especialmente menores.
A investigação também verificará a transparência dos sistemas de recomendação, ou seja, como a plataforma propõe conteúdos e produtos aos usuários e se essas regras estão claramente informadas.
Declarações da UE e da empresa
Em comunicado, Henna Virkkunen, chefe de tecnologia da UE, afirmou, “A Lei dos Serviços Digitais mantém os consumidores seguros, protege seu bem-estar e os capacita com informações sobre os algoritmos com os quais estão interagindo. Avaliaremos se a Shein está respeitando essas regras e sua responsabilidade”.
A Shein disse que vai cooperar com a investigação da UE e ressaltou investimentos em medidas para reforçar a conformidade com a legislação europeia.
A empresa declarou ter interrompido a venda de todas as bonecas sexuais em todo o mundo, e que acelerou a implementação de salvaguardas, incluindo verificações de idade para impedir que menores visualizem ou comprem produtos com restrição de idade.
Contexto e possíveis desdobramentos
A Shein e a rival chinesa Temu tornaram-se símbolos das preocupações com o fluxo de produtos chineses baratos para a Europa e com a capacidade das plataformas de controlar ofertas potencialmente ilegais.
A ação ocorre sob a Lei dos Serviços Digitais, que exige que plataformas online atuem para combater conteúdos ilegais e prejudiciais, e sinaliza um endurecimento do cumprimento das regras no bloco.
Se a investigação identificar falhas, a Comissão Europeia poderá exigir mudanças operacionais, impor multas ou outras medidas para garantir que a investigação Shein UE resulte em maior proteção para consumidores e menor risco para usuários jovens.