Trajetória do empresário baiano que comprou o Banco Pleno em 2025, expandiu o Credcesta em parceria com o Banco Master, e agora enfrenta liquidação e investigações
Augusto Ferreira Lima voltou a ganhar destaque depois da liquidação extrajudicial do banco que controlava, o Banco Pleno.
Empresário da Bahia, Lima tem histórico de negócios que incluem a compra de rede de supermercados e a criação do cartão Credcesta, usado por servidores, e passou a ter relações com o Banco Master.
As informações a seguir reconstituem a trajetória e os problemas recentes do empresário, conforme informação divulgada pelo g1
Quem é Augusto Lima e como chegou ao Banco Pleno
Augusto Lima é empresário baiano que se destacou ao adquirir a rede de supermercados Cesta do Povo na privatização da Empresa Baiana de Alimentos, e com isso passou a controlar o Credcesta, cartão de benefícios voltado a servidores públicos.
Segundo apurações, Lima também ocupou cargo de CEO do Banco Master em determinado momento, e em julho de 2025 recebeu autorização do Banco Central do Brasil para assumir o controle do Banco Pleno.
O empresário foi alvo da Operação Compliance Zero e chegou a ser preso preventivamente pela Polícia Federal durante as investigações relacionadas a fraudes ligadas ao ecossistema do Banco Master.
Credcesta, expansão do crédito consignado e negociação com fundos
Com a compra da rede de supermercados, Lima ampliou o uso do Credcesta em operações que migraram para o produto de crédito consignado, inicialmente na Bahia e depois em todo o país em parceria com o Banco Master.
Segundo um requerimento da CPMI do INSS, a ampliação transformou o cartão em um produto de crédito consignado “que se disseminou pelo país e passou a integrar carteiras negociadas com fundos de investimento e outras instituições financeiras”, e parte relevante desses créditos não foi informada às autoridades ou não possuía recursos e estrutura suficientes para operar dentro das regras.
Liquidação do Banco Pleno e números do sistema financeiro
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e da Pleno DTVM após constatar agravamento da situação econômico-financeira e descumprimento de normas e determinações da autoridade reguladora.
O órgão informou que, até setembro do ano passado, o conglomerado concentrava cerca de 0,04% de todos os ativos do setor financeiro, o equivalente a aproximadamente R$ 7,6 bilhões, e tinha participação de 0,05% nas captações, o equivalente a cerca de R$ 6,5 bilhões.
O BC registrou que a decisão se deu por “A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil.”
A liquidação implica nomeação de um liquidante, encerramento das operações, venda de bens e pagamento dos credores na ordem prevista em lei, e a continuidade das apurações pelo BC, que pode aplicar sanções administrativas e encaminhar informações a outras autoridades.
Investigações, relações políticas e desdobramentos
Além das investigações sobre irregularidades financeiras, a atuação de Augusto Lima foi associada a aproximações políticas na Bahia, com relatos de proximidade com nomes do PT local, e a intermediações em contratações jurídicas, segundo apurações publicadas.
Com a liquidação, os bens de controladores e administradores do Banco Pleno ficam indisponíveis, e o Banco Central afirmou que seguirá apurando responsabilidades e adotando medidas cabíveis.
O caso reúne elementos jurídicos, financeiros e políticos que deverão ser esclarecidos nas próximas semanas, com impacto direto em credores e clientes da instituição.