Mercado monitora ação do FGC no Banco Pleno, fluxo cambial, indicadores dos EUA e ata do Fomc, com bolsas brasileiras abrindo depois das 13h e possíveis impactos no real
O dólar operava em queda nesta quarta-feira, recuando 0,25% por volta das 13h15, cotado a R$ 5,2160, enquanto o Ibovespa avançava 0,61%, aos 187.606 pontos.
O movimento ocorre em um dia atípico no calendário local, com mercados brasileiros abrindo apenas após as 13h devido ao feriado de Carnaval, e com atenção a decisões e dados que podem afetar o real e as ações.
Entre os principais fatores em análise estão a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, a atuação do FGC, a divulgação do Boletim Focus e a ata da última reunião do Federal Reserve, conforme informação divulgada pelo g1.
Câmbio e sentimento no mercado
Na comparação com a sexta-feira, a volatilidade veio em direção oposta, depois de o dólar ter subido 0,57%, cotado a R$ 5,2293, e o Ibovespa ter fechado em queda de 0,69%, aos 186.464 pontos. No acumulado da semana o dólar registra alta de 0,17%, no mês tem queda de 0,35% e no ano acumula baixa de 4,73%.
Já o Ibovespa mostra-se resiliente, com ganho acumulado de 1,92% na semana, 2,81% no mês e 15,73% no ano, com investidores repercutindo tanto os choques locais quanto sinais mistos vindos dos Estados Unidos.
Liquidação do Banco Pleno e papel do FGC
O Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., do mesmo conglomerado. Segundo o BC, a decisão decorre do agravamento da situação econômico-financeira da instituição, com dificuldades para cumprir obrigações rotineiras e descumprimento de normas.
O órgão traz a justificativa exata, ao afirmar, “A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, com deterioração da situação de liquidez, bem como por infringência às normas que disciplinam a sua atividade e inobservância das determinações do Banco Central do Brasil.”
O FGC informou que o Banco Pleno possui cerca de 160 mil credores com depósitos elegíveis, somando R$ 4,9 bilhões, e que passará a atuar para garantir o ressarcimento conforme as regras vigentes, o que tem peso direto na avaliação de risco e liquidez do sistema bancário e, por consequência, na cotação do dólar.
Agenda econômica e indicadores dos EUA
No exterior, dados econômicos dos Estados Unidos vieram mistos, com impacto sobre expectativas de política monetária e fluxo global de capitais. As construções de moradias iniciadas subiram 6,2% em dezembro, para uma taxa anualizada de 1,404 milhão de unidades, enquanto as permissões avançaram 4,3%, para 1,448 milhão.
As encomendas de bens duráveis nos EUA recuaram 1,4% em dezembro, totalizando US$ 319,6 bilhões, abaixo do esperado pelos analistas. Ao excluir transporte, os pedidos cresceram 0,9%, e sem a categoria de defesa houve queda de 2,5%.
A produção manufatureira do país subiu 0,6% em janeiro, após estabilizar em dezembro, com alta de 2,4% na comparação anual. No total, a produção industrial avançou 0,7% em janeiro, após alta de 0,2% em dezembro, acumulando crescimento de 2,3% em 12 meses.
O que observar no restante do dia
Além da repercussão local da liquidação do Banco Pleno, o mercado acompanhará a divulgação do Boletim Focus, que sairá às 14h em razão do Carnaval, e o relatório semanal de fluxo cambial, às 14h30, que ajuda a medir entradas e saídas de dólares no país.
À tarde, investidores analisarão a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária do Federal Reserve, documento que pode ajustar expectativas sobre o ritmo de cortes ou manutenção das taxas nos Estados Unidos, influenciando o comportamento do dólar no mercado global e o apetite por ativos brasileiros.
Em resumo, o dia reúne choques locais, com medidas sobre o Banco Pleno e a atuação do FGC, e sinais externos, com dados e comunicações do Federal Reserve, fatores que devem guiar a volatilidade do dólar e a trajetória do Ibovespa nas próximas horas.