quinta-feira, junho 4, 2026

Pequenas empresas russas sentem impacto da guerra e da alta de impostos, IVA sobe 2% e limites caem, padarias e salões de beleza fecham ou encolhem

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Com queda nas receitas de petróleo e déficit, governo eleva IVA e reduz isenções, pressionando pequenas empresas russas com custos maiores e queda na demanda

A nova política tributária russa está alterando o dia a dia de pequenos negócios, de padarias a salões de beleza, que relatam aumento de custos e queda nas vendas.

Empresários dizem ter sido forçados a reduzir operações ou fechar lojas, diante de uma carga tributária que, para muitos, tornou-se insustentável.

As mudanças e os relatos de impacto foram reportados na cobertura, conforme informação divulgada pelo g1.

O que mudou na tributação, números e regras

O governo ampliou a cobrança do imposto sobre valor agregado, com o IVA sendo elevado em 2%, e reduziu de forma drástica os limites de faturamento que isentavam empresas menores.

O limite para obrigar o pagamento do IVA caiu de 60 milhões de rublos, cerca de R$ 4,04 milhões em receita anual, para 20 milhões de rublos, aproximadamente R$ 1,35 milhão, e a intenção é reduzir ainda mais para 10 milhões de rublos, cerca de R$ 674 mil, até 2028.

Além disso, empresas com receitas acima de 20 milhões de rublos terão de pagar pelo menos 6% de imposto sobre suas receitas e pelo menos 5% de IVA, conforme as novas regras.

Impacto prático em padarias, salões e pequenos comércios

Empresários relatam custos operacionais maiores, fornecedores repassando aumentos e clientes reduzindo gastos, o que levou a fechamento de pontos comerciais e vendas precipitadas de negócios.

Muitos deixaram de ser elegíveis ao sistema de patentes, que permitia pagamentos fixos anuais baixos, e passaram a arcar com tributos muito superiores, além da necessidade de contratar contadores para lidar com a burocracia.

Relatos incluíram quedas na demanda e aumentos de custos como aluguel, suprimentos, segurança e serviços bancários, que, segundo empresários, subiram até 30% em alguns casos, bem acima dos 2% do IVA.

Casos representativos e reações

O dono da padaria Mashenka, Denis Maksimov, ganhou visibilidade ao questionar o presidente em um programa, e disse, “Entendemos muito bem que não é uma situação fácil para o país, Entendemos que o aumento de impostos é necessário”, e “Para ser franco, estamos olhando para o futuro sem otimismo. Muitas empresas vão fechar”, conforme relatos.

Após a exposição, o caso de Maksimov teve atenção oficial e propostas de alívio pontual, com o próprio empresário dizendo à imprensa que “Acho que vamos crescer, talvez mais lentamente do que antes, mas não com menos confiança”, embora aguardando medidas concretas.

Nem todos tiveram a mesma sorte, e uma campanha chamada “Nós Somos Mashenka”, organizada por associações do setor de beleza, reuniu relatos de pequenos empresários que não contaram com apoio do governo.

Proprietária de uma rede de salões em São Petersburgo, Darya Demchenko afirmou, “Nunca me senti tão assustada, tão desprotegida, tão ansiosa como neste ano”, e disse ter fechado e vendido unidades para se manter.

Lyalya Sadykova, presidente da Associação de Empresas do Setor de Beleza, alertou que cerca de 10% dos estabelecimentos do setor em São Petersburgo fecharam e outros 10% foram vendidos em dezembro e janeiro, e prevê mais fechamentos na primavera, afirmando, “Acho que haverá falências e uma debandada em massa do mercado, porque agora me parece que nem todos fizeram as contas e entenderam a situação”.

Consequências para a economia e perspectivas

Pequenas e médias empresas representam pouco mais de 20% da economia russa, segundo a análise citada na cobertura, e tornar mais empresários sujeitos ao IVA e a alíquotas maiores representa uma fonte significativa de arrecadação para o orçamento.

Chris Weafer, da consultoria Macro-Advisory Ltd, descreveu a mudança como “uma estratégia deliberada do Ministério das Finanças para criar fontes de renda mais estáveis e previsíveis” em meio à queda das receitas do petróleo e ao aumento do déficit.

Especialistas afirmam que a pressão sobre o setor de pequenas empresas, que já vinha desde 2014 por causa de sanções e prioridades do estado, tende a reduzir a capacidade de crescimento e inovação do país, deixando um rastro de fechamentos e retração no curto e médio prazos.

Em resumo, donos de padarias, salões e pequenas lojas enfrentam agora uma combinação de mais impostos, limites menores de isenção, custos crescentes e clientes mais cautelosos, cenário que pode provocar uma onda de falências e redução do dinamismo econômico local nos próximos meses.

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