Mercado monitora sobretaxa global de 15% anunciada por Donald Trump, decisão da Suprema Corte, e déficit em transações correntes de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026
O dólar iniciou a sessão em alta, refletindo incertezas sobre mudanças na política tarifária dos Estados Unidos e dados do setor externo brasileiro.
Investidores também acompanham discursos de dirigentes do Federal Reserve e a divulgação da pesquisa da ADP sobre criação de vagas no setor privado nos EUA.
Na prática, a combinação de anúncios sobre tarifas e os números do balanço de pagamentos mexeu com a percepção de risco e com a demanda por dólar no mercado local, conforme informação divulgada pelo g1.
Como abriu o dia
Pouco depois das 9h, o dólar avançou 0,06%, cotado a R$ 5,1720, enquanto, na véspera, a moeda americana teve queda de 0,14%, cotada a R$ 5,1685, e a bolsa caiu 0,88%, aos 188.853 pontos.
No acumulado, o desempenho do câmbio mostra: Acumulado da semana: -0,14%, Acumulado do mês: -1,51%, Acumulado do ano: -5,83%. Já o Ibovespa registra Acumulado da semana: -0,88%, Acumulado do mês: +4,13%, Acumulado do ano: +17,21%.
Tarifas dos EUA e efeitos imediatos
Nos Estados Unidos, entrou em vigor uma tarifa adicional de 10% sobre produtos sem isenção, e o presidente Donald Trump anunciou que a alíquota subiria para 15% no sábado, dentro do limite da Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.
A Suprema Corte dos EUA decidiu, por 6 votos a 3, que Trump extrapolou sua autoridade ao impor o chamado “tarifaço”, com John Roberts como relator da decisão, enquanto Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos.
O resultado pressiona cadeias de comércio e já se reflete na cotação do dólar e nas expectativas de empresas que importam e exportam, em especial setores que dependem de insumos metálicos e eletrônicos.
Impacto específico para o Brasil
Segundo explicação ao g1 do especialista Jackson Campos, “Para a maioria dos produtos, permanece a tarifa normal do item [ou seja, as taxas já em vigor antes do tarifaço de 2025], acrescida do novo adicional temporário global de 15%”.
Campos lembrou ainda que a entrada de aço e alumínio brasileiros nos EUA continua com alíquotas de 50%, que se somam aos 15% recém-anunciados, mantendo o custo desses insumos elevado.
Dados do setor externo brasileiro
O Banco Central divulgou que as transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões no mesmo mês de 2025.
Nos 12 meses até janeiro, o déficit caiu para US$ 67,6 bilhões (2,92% do PIB), ante US$ 72,4 bilhões (3,35% do PIB) em janeiro de 2025, mostrando melhora que ajuda a segurar parte da pressão sobre o câmbio.
A balança comercial de bens registrou superávit de US$ 3,5 bilhões em janeiro de 2026, acima dos US$ 1,4 bilhão de janeiro de 2025, com exportações somando US$ 25,3 bilhões e importações totalizando US$ 21,8 bilhões. Em relação ao ano anterior, as exportações caíram 1,2%, e as importações recuaram 10,0%.
O que acompanhar ainda hoje
Além das repercussões sobre tarifas, o mercado espera discursos de dirigentes do Federal Reserve e a divulgação da pesquisa semanal da ADP, cuja leitura anterior indicou abertura de 10,25 mil vagas no setor privado, fatores que podem intensificar oscilações no câmbio global.
No plano político e regulatório local, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado ouve o presidente interino da CVM, João Accioly, no grupo de trabalho sobre as investigações do Banco Master, evento que pode influenciar o sentimento dos investidores domésticos.
Em resumo, o preço do dólar continua sensível a decisões tarifárias nos EUA e a indicadores externos e internos, o que deve manter a atenção de empresas e investidores nas próximas horas e dias.