Movimento do dólar reflete entrada de tarifa adicional de 10% dos EUA, discursos do Federal Reserve, e déficit em transações correntes do Brasil, influenciando investidores
O dólar iniciou a sessão em alta, enquanto investidores avaliam medidas comerciais dos Estados Unidos e indicadores externos do Brasil.
O avanço reflete a entrada em vigor de uma tarifa adicional e a expectativa por falas de dirigentes do Federal Reserve, além de dados do balanço de pagamentos brasileiros.
Na véspera, a moeda americana teve queda de 0,14%, cotada a R$ 5,1685, e o Ibovespa caiu 0,88%, aos 188.853 pontos, conforme informação divulgada pelo g1.
Como começou o dia no câmbio
Pouco depois das 9h, o dólar registrou avanço de 0,06%, cotado a R$ 5,1720, com investidores de olho em fatores externos e na agenda doméstica. No acumulado, os números do câmbio mostram: Acumulado da semana: -0,14%, Acumulado do mês: -1,51%, Acumulado do ano: -5,83%.
Tarifas dos EUA e sinais ao mercado
Entrou em vigor nos Estados Unidos uma tarifa adicional de 10% sobre produtos que não estejam cobertos por isenções, conforme aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras, CBP, na sigla em inglês. A CBP informou que, exceto os produtos listados como isentos, as importações “estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10%”.
A medida segue anúncio do presidente Donald Trump e acrescenta incerteza à política comercial americana, enquanto o presidente fará o discurso anual do Estado da União.
Dados do setor externo brasileiro
O Banco Central divulgou que as transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões no mesmo mês de 2025. No acumulado de 12 meses até janeiro, o déficit recuou para US$ 67,6 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB.
O resultado melhorou principalmente pelo aumento do superávit na balança comercial de bens, que foi de US$ 3,5 bilhões em janeiro de 2026, acima dos US$ 1,4 bilhão de janeiro de 2025. As exportações somaram US$ 25,3 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 21,8 bilhões. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, as exportações caíram 1,2%, e as importações recuaram 10,0%.
Mercados globais e perspectivas
Nos Estados Unidos, a entrada das tarifas e a incerteza sobre a política comercial pressionaram Wall Street no início da semana, e discursos de dirigentes do Federal Reserve serão acompanhados por investidores, assim como a pesquisa semanal da ADP sobre criação de vagas no setor privado.
Na Europa, os índices registraram queda, refletindo preocupações vindas do exterior. Na Ásia, movimentos foram mistos, com bolsas como o Hang Seng e o Kospi mostrando altas, enquanto feriados reduziram volumes em alguns mercados.
Para o câmbio, o cenário reúne a combinação de medidas comerciais americanas, indicadores do setor externo brasileiro e ruído político, e deve manter a volatilidade enquanto os agentes avaliam o impacto dessas variáveis.