Dólar reage à entrada em vigor de tarifas dos EUA e aos dados do setor externo brasileiro, investidores avaliam efeitos no câmbio, na bolsa e nas contas externas
O mercado amanheceu atento a duas frentes, com a implementação de novas tarifas nos Estados Unidos e a divulgação de dados do setor externo do Brasil.
O câmbio registrou leve alta, enquanto agentes financeiros recalibraram posições diante da incerteza sobre comércio internacional e fluxo de capitais.
Os impactos envolvem preço do dólar, desempenho do Ibovespa e o saldo das transações correntes, conforme informação divulgada pelo g1.
Tarifas dos EUA e impacto imediato
Entrou em vigor uma tarifa adicional de 10% sobre produtos que não estejam cobertos por isenções, conforme aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras, a CBP.
A medida corresponde ao percentual inicialmente anunciado pelo presidente Donald Trump, e não aos 15% mencionados posteriormente, e amplia a incerteza sobre a política comercial americana.
A decisão da CBP veio após a Suprema Corte derrubar tarifas anteriores justificadas por motivos de emergência, e o tema ganha novo foco com o discurso do presidente no Estado da União.
Dados do setor externo brasileiro explicam parte da movimentação
As transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões no mesmo mês de 2025, segundo o Banco Central.
No acumulado de 12 meses até janeiro, o déficit caiu para US$ 67,6 bilhões (2,92% do PIB), contra US$ 69,0 bilhões em dezembro de 2025 e US$ 72,4 bilhões em janeiro de 2025.
A balança comercial de bens registrou superávit de US$ 3,5 bilhões em janeiro de 2026, acima dos US$ 1,4 bilhão de janeiro de 2025, com exportações somando US$ 25,3 bilhões e importações totalizando US$ 21,8 bilhões.
Em comparação anual, as exportações caíram 1,2%, e as importações recuaram 10,0%, enquanto economistas ouvidos pela Reuters projetavam um déficit de US$ 6,4 bilhões para janeiro.
Mercados, números do câmbio e da bolsa
Na véspera, a moeda americana teve queda de 0,14%, cotada a R$ 5,1685, enquanto a bolsa caiu 0,88%, aos 188.853 pontos.
Já na manhã citada, o dólar iniciou a sessão em alta, com avanço de 0,06% pouco depois das 9h, cotado a R$ 5,1720, e o Ibovespa abriu às 10h para negociações.
Indicadores de tendência mostram acumulados divulgados pelo mercado, entre eles, para o dólar, Acumulado da semana: -0,14%;Acumulado do mês: -1,51%;Acumulado do ano: -5,83%, e para o Ibovespa, Acumulado da semana: -0,88%;Acumulado do mês: +4,13%;Acumulado do ano: +17,21%.
No exterior, a semana começou em clima de incerteza após as mudanças na política tarifária dos EUA, e os principais índices de Wall Street fecharam em queda.
Na Europa, o índice STOXX 600 recuou 0,45%, para 627,70 pontos, o DAX caiu 1,06%, a 24.991,97 pontos, e o CAC 40 recuou 0,22%, para 8.497,17 pontos.
Na Ásia, bolsas como Japão e China continental ficaram parcialmente fechadas por feriados, enquanto o Hang Seng subiu 2,5%, aos 27.081,91 pontos, e o Kospi avançou 0,7%, para 5.846,09 pontos.
Agenda e riscos no curto prazo
Investidores acompanham discursos de dirigentes do Federal Reserve ao longo do dia, além da pesquisa semanal da ADP sobre criação de vagas no setor privado, cuja leitura anterior indicou abertura de 10,25 mil postos de trabalho.
No Brasil, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado ouviu o presidente interino da CVM, João Accioly, em reuniões relacionadas às investigações sobre o Banco Master, um ponto de atenção para o mercado doméstico.
Com tarifas americanas em vigor e dados externos em destaque, a orientação para quem opera no curto prazo é monitorar desdobramentos comerciais, comunicações do Fed e novas estatísticas do Banco Central.