Dólar opera em alta, cotado a R$ 5,1720, com investidores de olho na tarifa adicional de 10% dos EUA e nos números do balanço de pagamentos divulgados pelo Banco Central
O dólar iniciou a sessão com leve alta, negociado a R$ 5,1720 pouco depois das 9h, em um dia marcado por decisões de comércio exterior nos Estados Unidos e por dados do setor externo brasileiro.
Investidores acompanham a entrada em vigor de uma tarifa adicional anunciada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, e também avaliam as estatísticas recentes do Banco Central sobre transações correntes.
Esses movimentos, combinados com discursos de dirigentes do Federal Reserve e expectativas sobre empregos nos Estados Unidos, ajudam a explicar a volatilidade no câmbio e nas bolsas ao redor do mundo, conforme informação divulgada pelo g1.
Tarifas dos EUA entram em vigor e ampliam incerteza
Entrou em vigor nos EUA uma tarifa adicional de 10% sobre produtos que não estejam cobertos por isenções, segundo aviso da Alfândega e Proteção de Fronteiras. A medida corresponde à taxa inicialmente anunciada pelo presidente Donald Trump, e não aos 15% mencionados posteriormente.
No comunicado destinado a “fornecer orientações sobre a Proclamação Presidencial de 20 de fevereiro de 2026”, a CBP informou que, exceto os produtos listados como isentos, as importações, “estarão sujeitas a uma tarifa adicional de 10%”. A decisão aumentou a incerteza sobre a política comercial norte-americana, porque não explicou por que foi adotado o percentual mais baixo.
Em meio a esse ambiente, o presidente Trump fará o discurso anual do Estado da União no Capitólio, às 23h, horário de Brasília, evento que atrai atenção política e econômica dos mercados.
Dados do setor externo brasileiro e números do Banco Central
As transações correntes do balanço de pagamentos, que resumem quanto o país recebe e paga ao exterior com comércio, serviços, rendas e transferências, registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões no mesmo mês de 2025, conforme divulgou o Banco Central.
O resultado veio pior do que a projeção de economistas consultados pela Reuters, que esperavam déficit de US$ 6,4 bilhões, mas a melhora na comparação anual foi explicada pelo aumento do superávit na balança comercial de bens, que cresceu US$ 2,1 bilhões, e pela redução do déficit na conta de serviços, em US$ 581 milhões.
No acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, o déficit em transações correntes recuou para US$ 67,6 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB, ante US$ 69,0 bilhões em dezembro de 2025, e US$ 72,4 bilhões em janeiro de 2025.
A balança comercial de bens registrou superávit de US$ 3,5 bilhões em janeiro de 2026, acima dos US$ 1,4 bilhão de janeiro de 2025. As exportações somaram US$ 25,3 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 21,8 bilhões, com exportações caindo 1,2% e importações recuando 10,0% na comparação anual.
Reação dos mercados globais e efeito sobre o Brasil
O anúncio sobre tarifas nos EUA e a incerteza política afetaram as bolsas internacionais, e os índices europeus refletiram esse tom. No fechamento, o STOXX 600 recuou 0,45%, para 627,70 pontos, o DAX caiu 1,06%, a 24.991,97 pontos, e o CAC 40 recuou 0,22%, para 8.497,17 pontos, enquanto o FTSE 100 teve queda de 0,02%, a 10.684,74 pontos.
Na Ásia, apesar de feriados que reduziram o volume de negociações, bolsas como o Hang Seng subiram 2,5%, aos 27.081,91 pontos, o Kospi avançou 0,7%, para 5.846,09 pontos, o Taiex teve alta de 0,5% e o Sensex, na Índia, subiu 0,6%.
No Brasil, os indicadores locais também refletem esse contexto externo e doméstico. Na véspera, a moeda americana teve queda de 0,14%, cotada a R$ 5,1685, e a bolsa caiu 0,88%, aos 188.853 pontos. No acumulado, o dólar registra na semana -0,14%, no mês -1,51% e no ano -5,83%, enquanto o Ibovespa apresenta na semana -0,88%, no mês +4,13% e no ano +17,21%.
O câmbio e o mercado acionário seguirão sensíveis a novidades sobre as tarifas americanas, aos discursos no Federal Reserve e à próxima divulgação de dados econômicos, que podem redesenhar apostas de curto prazo dos investidores, conforme informação divulgada pelo g1.