Mercado avalia tarifa de 10% da alfândega americana, falas de dirigentes do Federal Reserve e dados do balanço de pagamentos, com dólar pressionado
O dólar opera em alta nesta terça-feira, com os investidores monitorando a entrada em vigor de uma tarifa adicional dos Estados Unidos e a agenda econômica global.
Além das medidas comerciais americanas, discursos de dirigentes do Federal Reserve e estatísticas do setor externo brasileiro entram no radar, influenciando o fluxo para o real e ações no Brasil.
Conforme informação divulgada pelo g1
Dólar e mercado doméstico
Por volta das 9h45, o **dólar** avançava **0,30%**, cotado a **R$ 5,1842**, após ter fechado em queda na véspera, **0,14%**, a **R$ 5,1685**, e com a bolsa brasileira retraindo **0,88%**, aos **188.853 pontos**.
Os indicadores de curto prazo mostram o impacto imediato da incerteza externa, enquanto investidores acompanham também o acumulado: semana **-0,14%**, mês **-1,51%**, ano **-5,83%** para o dólar, e para o Ibovespa, semana **-0,88%**, mês **+4,13%**, ano **+17,21%**.
Tarifas dos EUA entram em vigor e criam incerteza
A Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA informou que passou a cobrar uma **tarifa adicional de 10%** sobre produtos que não estejam cobertos por isenções, confirmando o percentual anunciado inicialmente pelo presidente Donald Trump.
A decisão segue a declaração de Trump sobre um aumento para 15% feita no sábado, mas a CBP, ao fornecer orientações sobre a proclamação presidencial de 20 de fevereiro de 2026, indicou o percentual de 10% na prática, ampliando a incerteza sobre a política comercial americana.
O tema ganha destaque no dia em que Trump fará o discurso anual do Estado da União no Capitólio, às 23h, e aumenta a atenção dos mercados sobre efeitos em cadeias globais de oferta e em empresas exportadoras e importadoras.
Setor externo do Brasil, números e razões da melhora
O Banco Central divulgou que as transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de **US$ 8,4 bilhões** em janeiro de 2026, menor que o rombo de **US$ 9,8 bilhões** em janeiro de 2025.
No acumulado de 12 meses até janeiro, o déficit recuou para **US$ 67,6 bilhões**, o equivalente a **2,92% do PIB**, contra **US$ 69,0 bilhões** em dezembro de 2025, e **US$ 72,4 bilhões** em janeiro de 2025.
O avanço foi explicado pelo aumento do superávit na balança comercial de bens, que cresceu **US$ 2,1 bilhões**, e pela redução do déficit em serviços, em **US$ 581 milhões**, compensados parcialmente por um aumento de **US$ 1,3 bilhão** no déficit de renda primária.
Em janeiro de 2026, a balança comercial de bens teve superávit de **US$ 3,5 bilhões**, acima dos **US$ 1,4 bilhão** de janeiro de 2025, com exportações somando **US$ 25,3 bilhões** e importações totalizando **US$ 21,8 bilhões**, em que as exportações caíram **1,2%** e as importações recuaram **10,0%** na comparação anual.
Cenário global e fatores de curto prazo
Nos Estados Unidos, além da política comercial, jornalistas e investidores monitoram discursos de dirigentes do Federal Reserve e a pesquisa semanal da ADP sobre vagas no setor privado, cuja leitura anterior indicou abertura de **10,25 mil** postos de trabalho.
Em Wall Street, o ambiente ficou marcado por incertezas sobre política comercial, tensões internacionais e preocupações com os efeitos da inteligência artificial, enquanto nos mercados de commodities o Brent avançava **0,1%**, a **US$ 71,57** por barril, e o ouro oscilava, registrando queda de **1,2%**, a **US$ 5.170** a onça, segundo as informações apuradas.
Os índices futuros americanas indicavam leve alta antes da abertura, com o Dow Jones avançando **0,27%**, o S&P 500 subindo **0,25%** e a Nasdaq ganhando **0,36%**. Na Europa, as variações foram moderadas, e na Ásia, bolsas locais recuperaram terreno após feriado, com destaque em Xangai e em mercados sul-coreanos e taiwaneses.
O movimento do **dólar** no curto prazo seguirá atrelado à evolução das tarifas americanas, ao tom dos discursos do Fed e aos próximos números do setor externo brasileiro, fatores que podem amplificar volatilidade na Bolsa e na taxa de câmbio.