Movimento do câmbio e fatores externos continuam em destaque, com investidores reagindo à medida tarifária dos EUA, aos números das transações correntes e ao calendário de falas do Federal Reserve
Dólar opera em alta na manhã desta terça-feira, com a moeda avançando cerca de 0,30% e cotada a R$ 5,1842 por volta das 9h45, em um dia marcado por notícias comerciais e dados do setor externo brasileiro.
Os investidores acompanham a entrada em vigor de uma tarifa adicional de 10% pelos Estados Unidos, além de discursos de dirigentes do Federal Reserve e da pesquisa ADP sobre vagas no setor privado, cujo dado anterior indicou abertura de 10,25 mil postos de trabalho.
Na véspera, a moeda americana teve queda de 0,14%, cotada a R$ 5,1685, enquanto a bolsa fechou em baixa, aos 188.853 pontos, refletindo a sensibilidade dos mercados a notícias globais.
conforme informação divulgada pelo g1
Por que a tarifa dos EUA afeta o câmbio
A decisão anunciada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA aplica uma taxa adicional de 10% sobre produtos que não estejam cobertos por isenções, o que alterou o cenário de comércio internacional e aumentou a incerteza sobre fluxos comerciais e cadeias de suprimento.
A medida corresponde ao percentual inicialmente informado pelo presidente dos EUA em 20 de fevereiro, e não aos 15% mencionados posteriormente, segundo o comunicado da CBP, o que deixou dúvida sobre a trajetória futura da política tarifária americana.
Esse aumento de risco comercial tende a pressionar moedas de mercados emergentes em momentos de maior aversão a ativos com risco, contribuindo para a valorização do dólar frente ao real.
O que mostram os dados do setor externo brasileiro
As transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026, cifra menor que o rombo de US$ 9,8 bilhões no mesmo mês de 2025, conforme dados do Banco Central.
Em 12 meses até janeiro, o déficit caiu para US$ 67,6 bilhões (2,92% do PIB), ante US$ 69,0 bilhões em dezembro de 2025 e US$ 72,4 bilhões em janeiro de 2025, mostrando avanço posterior na posição externa.
A balança comercial de bens registrou superávit de US$ 3,5 bilhões em janeiro de 2026, acima dos US$ 1,4 bilhão de janeiro de 2025, com exportações somando US$ 25,3 bilhões e importações totalizando US$ 21,8 bilhões.
Na comparação anual, as exportações caíram 1,2%, e as importações recuaram 10,0%, enquanto a melhora nas transações correntes foi explicada pelo aumento do superávit na balança de bens e pela redução do déficit na conta de serviços, parcialmente compensada por maior déficit em renda primária.
Reação dos mercados globais e fatores em pauta
Wall Street abriu com viés de alta nos índices futuros, mas o clima segue marcado por incertezas, que combinam dúvidas sobre a nova política de tarifas dos EUA, tensões internacionais e receios sobre impactos da inteligência artificial.
No mercado de commodities, o petróleo mostra leve alta, enquanto o ouro oscila. Na Ásia, bolsas subiram após feriado na China, e na Europa os índices mostram variações modestas, com ações de bancos sofrendo pressão.
Investidores também observam discursos de dirigentes do Fed ao longo do dia e a divulgação da pesquisa semanal da ADP, que pode antecipar leitura de emprego no setor privado, afetando expectativas sobre política monetária e fluxo de capitais.
Indicadores diários e pontos de atenção
No curto prazo, o mercado brasileiro monitora a evolução do câmbio, condicionada tanto às medidas comerciais externas quanto à trajetória das contas externas do país, além de eventos políticos como audiências e investigações que podem repercutir em confiança de investidores.
Para acompanhamento rápido, as referências publicadas no fechamento mostram: Acumulado da semana: -0,14%;Acumulado do mês: -1,51%;Acumulado do ano: -5,83%, para o dólar, e para o Ibovespa, Acumulado da semana: -0,88%;Acumulado do mês: +4,13%;Acumulado do ano: +17,21%.
As próximas horas devem trazer mais volatilidade, com a cerimônia do Estado da União nos EUA e falas de autoridades que podem definir o tom dos mercados globais e das taxas de câmbio.