Com alta real de 3,56% ante janeiro de 2025, a arrecadação federal reflete crescimento da economia e medidas tributárias, e levanta dúvidas sobre a meta fiscal de 2026
O governo federal registrou um resultado de arrecadação que combina retomada econômica e mudanças na tributação, elevando as receitas logo no primeiro mês do ano.
Os números mostram aumento tanto nas cobranças sobre renda e operações financeiras, como em tributos que passaram por reoneração e revisão de benefícios.
Esses dados colocam pressão sobre o debate fiscal de 2026, sobre alternativas às elevações de impostos e sobre a meta de resultado primário do governo, conforme informação divulgada pelo g1.
Detalhes e números divulgados pela Receita Federal
Segundo a Receita Federal, a arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas totalizou R$ 325,8 bilhões em janeiro. O resultado representa um aumento real de 3,56% em comparação com janeiro do ano anterior, quando a arrecadação somou R$ 314,54 bilhões (valor corrigido pela inflação), e é o maior valor já registrado em todos os meses desde o início da série histórica, em 1995.
Entre os destaques setoriais, a Receita informou que o IRRF-Rendimentos do Capital apresentou uma arrecadação de R$ 14,68 bilhões, com alta real de 32,56%, e, em nota, afirmou, “Destaca-se, adicionalmente, o crescimento da arrecadação decorrente da tributação de Juros sobre o Capital Próprio“.
Tributos que impulsionaram o resultado
A cobrança sobre operações financeiras se destacou, segundo a Receita, o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) apresentou uma arrecadação de R$ 8 bilhões em janeiro, com crescimento real de 49,05%. O governo também arrecadou R$ 1,5 bilhão com a taxação de apostas online e exploração de atividades de jogos de azar, tributo que foi elevado no fim de 2025.
A arrecadação previdenciária totalizou R$ 63,45 bilhões, com alta real de 5,48%, atribuída ao crescimento real da massa salarial, ao aumento na arrecadação do Simples Nacional e ao aumento de 17,02% no montante das compensações tributárias. Já PIS/Pasep e Cofins somaram R$ 56 bilhões, com aumento real de 4,35%, movimento que a Receita relaciona ao crescimento do volume de vendas e de serviços, conforme índices do IBGE.
Além desses itens, a Receita destacou que medidas aprovadas nos últimos anos também impulsionaram a arrecadação, entre elas a tributação de fundos exclusivos, mudanças na tributação de incentivos concedidos por estados, retomada da tributação de combustíveis, imposto sobre encomendas internacionais, reoneração gradual da folha de pagamentos e fim de benefícios para o setor de eventos.
Meta fiscal de 2026 e implicações para as contas públicas
Para 2026, o governo estabeleceu como meta que as contas públicas apresentem um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões. Pelo arcabouço fiscal, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central, o que significa que a meta será considerada cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões.
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas, e use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios. Na prática, portanto, a previsão é de que o governo tenha um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026, mesmo que para o cálculo oficial da meta seja possível apresentar resultado positivo.
O que muda para a economia e para a agenda política
O avanço da arrecadação alivia parte da pressão sobre as contas oficiais, porém aumenta o debate sobre a necessidade de cortes de gastos ou alternativas às elevações de tributos. A agenda fiscal seguirá no centro das discussões, com propostas de ajuste e propostas de redução de benefícios em vários setores.
Em paralelo, ministros e secretários trabalham em propostas alternativas para tentar reduzir a necessidade de novos aumentos de impostos, e o desempenho das receitas nos próximos meses será crucial para definir se o governo consegue se aproximar da meta formal de 2026.