quinta-feira, junho 4, 2026

PIB fantasma, desemprego de 10,2% e queda de quase 40% do S&P, como o texto da Citrini Research sobre inteligência artificial assustou mercados em 2026

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Relato em formato de relatório de 2028 prevê desemprego em massa, retração de consumo e uma espiral de substituição humana pela inteligência artificial, provocando vendas em ações

Um texto publicado em um blog financeiro que viralizou provocou quedas bruscas em ações de tecnologia e provocou discussões sobre riscos econômicos da inteligência artificial.

O documento da Citrini Research, escrito como se fosse um relatório de 30 de junho de 2028, descreve um cenário de desemprego de 10,2% e de queda de quase 40% do S&P, e se espalhou rapidamente entre investidores e analistas.

As informações e dados citados a seguir foram coletados e resumidos, conforme informação divulgada pelo g1.

O que dizia o texto que viralizou

O post da Citrini Research foi apresentado pelos autores como um “exercício mental” e não como uma previsão, e foi escrito por uma equipe ligada ao investidor James van Gleek.

No relato fictício, a inteligência artificial melhora produtividade a ponto de reduzir drasticamente a necessidade de trabalhadores de colarinho branco, em uma espiral de substituição que diminui salários reais e consumo.

O conceito central do texto é o chamado “PIB fantasma”, ideia de que os ganhos de produtividade apareceriam nas contas nacionais, mas não se traduziriam em circulação de renda na economia real.

Impacto imediato nos mercados e exemplos de perda

Na segunda-feira, diversas ações de tecnologia recuaram com força após a circulação do texto. Datadog, CrowdStrike e Zscaler caíram mais de 9% cada uma no pregão, e a International Business Machines registrou queda de 13%, seu pior desempenho em um único dia desde 2000.

Outras empresas financeiras e de pagamento também perderam valor, com a American Express recuando cerca de 7%, e JPMorgan, Citigroup e Morgan Stanley caindo mais de 4%, enquanto Mastercard e Visa caíram mais de 4%.

O Wall Street Journal observou que “não é preciso muito para provocar movimentos turbulentos nas ações em um mercado dominado por ações de tecnologia e ansioso pelas perspectivas da inteligência artificial”, e ressaltou que um post hipotético de 7 mil palavras foi citado entre os fatores por trás da queda de 800 pontos do Dow Jones.

Argumentos centrais do cenário e exemplos setoriais

No exercício mental, agentes autônomos de código, chamados de “agentic coding”, passam a escrever e testar software com mínima intervenção humana, reduzindo demanda por programadores e serviços especializados.

Setores como software, imobiliário e financeiro seriam otimizados pela inteligência artificial, segundo o texto, eliminando comissões e taxas hoje justificadas por assimetrias de informação, e pressionando empresas de software quando clientes passam a precisar de menos licenças.

O relatório fictício usa exemplos como aplicativos de entrega que repassariam de 90% a 95% da receita aos motoristas, e depois a substituição desses motoristas por veículos autônomos, além de migração para alternativas de pagamento envolvendo stablecoins, ameaçando empresas de meios de pagamento tradicionais.

Reações de especialistas e limites do argumento

Nem todos os analistas levaram o cenário ao pé da letra. O colunista Robert Armstrong, do Financial Times, escreveu que “a explicação mais comum para a renovada apreensão [nos mercados na segunda-feira] foi uma postagem no blog da Citrini Research sobre como a IA poderia levar à demissão de muitos profissionais de alta renda e prejudicar a economia”.

O editor de Negócios da revista Fortune, Nick Lichtenberg, afirmou que o texto pode estar ignorando a adaptabilidade humana e a resposta institucional, e que a inteligência artificial poderia democratizar o acesso à abundância de recursos.

Especialistas citam que parte do temor pode refletir um mercado inflado que busca justificativas para correções, mais do que evidência de um colapso iminente, e destacam que avanços tecnológicos historicamente tendem a realocar valor, em vez de destruí-lo permanentemente.

O que muda para investidores e políticas públicas

Os autores do exercício mental alertam para riscos fiscais, porque a queda na massa salarial reduziria arrecadação e aumentaria a necessidade de transferências, enquanto governos estariam mais frágeis para responder.

Para investidores, a lição é revisar premissas de portfólios que dependem de crescimento contínuo do consumo e da valorização das empresas de tecnologia, e para formuladores de políticas, é urgente pensar em mecanismos de adaptação do mercado de trabalho diante da difusão da inteligência artificial.

Apesar do tom alarmante do exercício, o próprio texto lembra que parte das previsões podem não se concretizar, e que ainda há tempo para avaliar riscos e agir, enquanto a discussão sobre os efeitos da inteligência artificial segue em evidência entre mercados, empresas e formuladores de políticas.

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