quinta-feira, junho 4, 2026

Inadimplência sobe a 5,5% em janeiro e alcança maior nível desde 2017, com Selic em 15%, juros bancários a 47,8% e queda acentuada nas concessões

Share

Alta de 1,1 ponto percentual em 12 meses pressiona famílias e empresas, estoque de crédito recua para R$ 7,116 trilhões, e spread bancário chega a 34,3 pontos percentuais

A inadimplência subiu e alcançou níveis que não eram vistos desde 2017, em um cenário de juros elevados e oferta de crédito mais restrita. O aumento preocupa consumidores e empresas, que enfrentam custos maiores para manter empréstimos em dia.

Ao mesmo tempo, os bancos ampliaram as taxas de juros e o spread, enquanto o volume de novas operações diminuiu, reduzindo o estoque total de crédito do sistema financeiro.

Esses movimentos refletem um ambiente de juros altos e ajuste da demanda por crédito, com efeitos diretos no bolso dos tomadores e na capacidade de expansão da economia, conforme informação divulgada pelo g1.

Dados do Banco Central e comportamento da inadimplência

Segundo o Banco Central, a inadimplência de consumidores e empresas em empréstimos com recursos livres subiu para 5,5% em janeiro, o maior nível desde agosto de 2017. Em dezembro, o índice estava em 5,4%, e na comparação em 12 meses a alta foi de 1,1 ponto percentual.

O relatório aponta que parte do aumento observado ao longo de 2025 decorre de mudanças nas regras de classificação de crédito, embora o BC já observe “alguns sinais de estabilização” do indicador.

Concessões de crédito e estoque do sistema

Com a piora da inadimplência, a oferta de crédito também se retraiu. A concessão de empréstimos caiu 18,9% em janeiro na comparação com dezembro, levando o estoque total de crédito do sistema financeiro a recuar 0,2%, para R$ 7,116 trilhões.

Nas operações com recursos livres, as novas concessões diminuíram 17,2% no mês, e nos financiamentos com recursos direcionados a queda foi ainda mais intensa, de 32,9%. Essa redução aponta para menor disponibilidade de crédito para empresas e consumidores que dependem de programas vinculados ao governo.

Juros, spread e impacto no custo do crédito

Os juros cobrados pelos bancos no crédito livre subiram para 47,8% ao ano em janeiro, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. Nos recursos direcionados, a taxa ficou em 11,6% ao ano, com avanço de 0,2 ponto no período.

O chamado spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, também aumentou, chegando a 34,3 pontos percentuais nas operações com recursos livres, ante 33,0 pontos em dezembro. Esse movimento eleva o custo efetivo do crédito para tomadores, pressionando orçamento familiar e investimentos empresariais.

Contexto macro e perspectiva

A taxa básica de juros, a Selic, está atualmente em 15% ao ano, e embora o Banco Central tenha interrompido um ciclo agressivo de aperto monetário em julho, manteve os juros no início deste ano no patamar mais alto em quase duas décadas.

O BC sinalizou que pode começar a cortar a Selic no próximo mês, diante de sinais mais claros de desaceleração da economia, o que pode aliviar gradualmente o custo do crédito e a pressão sobre a inadimplência, dependendo da evolução do desemprego e da renda.

Enquanto isso, consumidores e empresas devem enfrentar custos de financiamento mais altos no curto prazo, além de acesso mais restrito a novos empréstimos, o que tende a frear o consumo e o investimento até que parte das condições financeiras se normalize.

Leia Mais

Fique por dentro