Ambiente de juros elevados e redução das ofertas de crédito pressionam famílias e empresas, com efeitos visíveis no aumento da inadimplência e no custo do crédito bancário
A economia mostra sinais de aperto no bolso de consumidores e empresas, com piora nos indicadores do sistema financeiro no início de 2026.
Os indicadores mais recentes apontam para aumento da inadimplência, subida das taxas cobradas pelos bancos e encolhimento das novas operações de crédito.
Os dados oficiais confirmam a tendência de maior risco de crédito e redução da liquidez no mercado, conforme informação divulgada pelo g1.
O que os números dizem
A inadimplência atingiu 5,5% em janeiro, maior nível desde agosto de 2017. Em dezembro, o índice estava em 5,4%, e na comparação em 12 meses a alta foi de 1,1 ponto percentual, em um contexto de juros ainda elevados.
Segundo o Banco Central, a taxa básica Selic está atualmente em 15% ao ano, e esse patamar contribui para o encarecimento do crédito e maior dificuldade de pagamento por parte de tomadores.
Concessões, estoque e juros cobrados
A concessão de empréstimos caiu 18,9% em janeiro na comparação com dezembro, e o estoque total de crédito do sistema financeiro recuou 0,2%, para R$ 7,116 trilhões.
Nas operações com recursos livres, as novas concessões diminuíram 17,2% no mês, enquanto nos financiamentos com recursos direcionados a queda foi de 32,9%.
Os juros cobrados pelos bancos no crédito livre subiram para 47,8% ao ano em janeiro, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao mês anterior, e nos recursos direcionados a taxa ficou em 11,6% ao ano, com avanço de 0,2 ponto no período.
Spread e custos bancários
O chamado spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, aumentou, chegando a 34,3 pontos percentuais nas operações com recursos livres, ante 33,0 pontos em dezembro.
O alargamento do spread e o aumento das taxas elevam ainda mais o custo efetivo do crédito para pessoas e empresas, reduzindo o apetite por novas operações.
Perspectivas e impactos
Para o Banco Central, parte do aumento da inadimplência ao longo de 2025 foi atribuída a mudanças nas regras de classificação de crédito, embora a autoridade já observe “alguns sinais de estabilização” do indicador.
O BC manteve os juros no início do ano no patamar mais alto em quase duas décadas, mas sinalizou que pode começar a cortar a Selic nas próximas reuniões diante de sinais de desaceleração da economia.
Enquanto isso, consumidores e empresas enfrentam maior custo para financiar consumo e investimentos, e a combinação de juros altos, queda nas concessões e spread ampliado tende a prolongar a pressão sobre o nível de inadimplência.