Autorizações do Tesouro permitem que empresas peçam licença para revender petróleo venezuelano a Cuba, desde que transações não beneficiem as Forças Armadas nem instituições do governo cubano
A medida anunciada pelo Departamento do Tesouro dos EUA abre a possibilidade de **revenda de petróleo venezuelano a Cuba** por empresas que obtenham licença, em um momento de escassez aguda de combustível na ilha.
O envio direto de petróleo venezuelano a Cuba foi interrompido em janeiro, quando Washington assumiu o controle das exportações da Venezuela, agravando a crise energética cubana e deixando postos e serviços sem combustível.
A iniciativa busca permitir importações comerciais e humanitárias, mas impõe restrições que excluem beneficiários ligados ao governo e às Forças Armadas de Cuba.
conforme informação divulgada pelo g1
O que muda com a nova orientação do Tesouro
A orientação, publicada no site do Departamento do Tesouro dos EUA, estabelece que empresas interessadas podem solicitar licença para a **revenda de petróleo venezuelano a Cuba**, desde que as operações não beneficiem “as Forças Armadas ou outras instituições do governo cubano”.
O texto deixa claro que as transações autorizadas devem “apoiar o povo cubano, incluindo o setor privado”, o que abrange exportações para uso comercial e humanitário na ilha.
Além disso, o Tesouro informou que não é obrigatório ter uma empresa constituída nos Estados Unidos para pedir a licença, e que as restrições previstas em uma licença concedida em janeiro para exportação ampla de petróleo venezuelano não se aplicarão a Cuba.
Impacto prático para Cuba e dificuldades financeiras
A autorização pode aliviar a grave escassez de combustível em Cuba, porém não garante acesso imediato às cargas. Nos últimos anos, o país enfrentou dificuldades para pagar importações no mercado à vista.
O g1 reportou que, mesmo com a liberação, quaisquer aquisições junto a grandes tradings deverão obedecer a termos comerciais usuais, como garantias bancárias e pagamento antecipado, o que pode limitar a capacidade de compra de Havana.
Por mais de 25 anos, a Venezuela foi a principal fornecedora de petróleo bruto e combustíveis para Cuba, por meio de um acordo bilateral, e a interrupção dessas remessas elevou a pressão sobre a economia e os serviços básicos da ilha.
Quem está no meio dessa cadeia e como as cargas podem ser revendidas
Grandes tradings, como Vitol e Trafigura, concentram grande parte das exportações venezuelanas, com milhões de barris enviados a Estados Unidos, Europa e Índia, e outros milhões armazenados em terminais no Caribe para posterior revenda.
Com a nova política, empresas podem pedir licenças para comprar esses estoques e revendê‑los a Cuba, desde que cumpram as condições impostas, e sem que as operações beneficiem instituições militares ou governamentais cubanas.
O México, que chegou a emergir como alternativa de abastecimento para Cuba, também suspendeu remessas após a chegada de uma carga a Havana em janeiro, segundo dados de rastreamento marítimo citados pelo g1.
Contexto político e próximos passos
O anúncio ocorre enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que “aliados da Venezuela que vinham recebendo petróleo por meio de trocas, quitação de dívidas e outros acordos agora terão de pagar preços de mercado pelas cargas”, mensagem que coloca em nova base comercial relações antes marcadas por acordos preferenciais.
Ao mesmo tempo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, viajou ao Caribe para tratar com líderes regionais preocupados com a crescente crise humanitária em Cuba e seus efeitos de desestabilização regional.
Resta saber como as mudanças serão operacionalizadas, quais empresas terão acesso às licenças e se Cuba conseguirá cumprir os termos comerciais exigidos para retomar o abastecimento regular de combustíveis.