Com a aprovação na Câmara, texto segue ao Senado, governo projeta 0,34% no PIB e redução de tarifas para facilitar o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (24) os termos do Acordo Mercosul-UE, e o texto agora segue para o Senado, onde deve receber o último aval interno no Brasil.
Negociado por mais de 25 anos, o acordo prevê redução gradual de tarifas, regras comuns para produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, com foco em abrir mercados.
O governo avalia que o tratado pode ampliar exportações, atrair investimentos e fortalecer a inserção internacional do Brasil, e pretende explorar o avanço como trunfo eleitoral, conforme informação divulgada pelo g1
O que prevê o acordo
O acordo estabelece redução de tarifas ao longo do tempo, normas para compras públicas, estímulos a investimentos e mecanismos regulatórios comuns, com impacto direto sobre indústrias e o agronegócio.
Embora o anúncio final tenha ocorrido durante a presidência do Uruguai no Mercosul, a maior parte das negociações foi conduzida enquanto o Brasil liderava o bloco, com participação ativa da diplomacia brasileira.
Projeções econômicas e dados oficiais
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as projeções de benefícios do acordo Mercosul-União Europeia se concentram sobretudo em comércio, investimentos e competitividade.
O MDIC estima um impacto positivo de cerca de 0,34% no PIB brasileiro, o equivalente a aproximadamente R$ 37 bilhões, além de elevar o investimento em 0,76% (cerca de R$ 13,6 bilhões) no longo prazo.
O governo também projeta redução média de preços ao consumidor e aumento da competitividade, impulsionados pela queda de tarifas e maior integração com o mercado europeu.
Ganhos para exportações e indústria
Para a área internacional do governo, o principal efeito será o aumento do acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu, com destaque para o agronegócio, que deve se beneficiar da abertura de mercados.
Além disso, espera-se maior segurança jurídica para investidores, atração de capitais, abertura de compras públicas e estímulo à modernização da indústria, favorecendo a integração do Brasil em cadeias globais de valor.
Impacto político e próximos passos
No plano político, a gestão do presidente Lula trata o avanço do acordo como estratégico para diversificar parceiros comerciais, reforçar a presença internacional do Brasil e ampliar cooperação em temas ambientais e de desenvolvimento sustentável.
O governo pretende usar o avanço do texto como um demonstrativo de capacidade de articulação externa, e vê o tratado como um trunfo eleitoral a ser explorado publicamente.
O texto aprovado na Câmara ainda precisa do aval do Senado e, depois, da aprovação interna de todos os países do Mercosul, para que as cláusulas entrem em vigor.