Negociações em Genebra mantêm o mercado em alerta, elevam o dólar e influenciam petróleo, bolsas e indicadores econômicos no Brasil e no exterior
O mercado financeiro abriu o dia com forte atenção ao desfecho da reunião entre Estados Unidos e Irã em Genebra, que pode influenciar diretamente o movimento do dólar frente ao real.
A possibilidade de uma ação militar americana, que pode ser decidida pelo presidente Donald Trump após o encontro, aumentou a demanda por ativos considerados mais seguros, entre eles o dólar.
As informações e dados usados nesta reportagem foram divulgados por fontes do mercado e, em especial, conforme informação divulgada pelo g1
Por que o dólar subiu e o que está em jogo
Em momentos de tensão geopolítica, investidores tendem a migrar de ativos de risco para moedas e ativos percebidos como protetores, o que explica parte da valorização do dólar nesta sessão.
Além do efeito de segurança, parte do mercado teme um eventual bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do comércio mundial de petróleo, o que elevaria os riscos para oferta global e pressionaria preços, segundo analistas ouvidos pelas fontes.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou ver chances de um resultado positivo na reunião, e o ministro de Relações Exteriores, Abbas Araqchi, disse que um acordo é possível se a diplomacia for priorizada. Do lado americano, o secretário de Estado Marco Rubio disse que espera uma reunião produtiva, mas afirmou que o governo iraniano enfrentará "um grande problema" se resistir a discutir os limites dos mísseis.
Petróleo recua, mas tensão mantém preços no radar
Apesar das incertezas geopolíticas, o petróleo operava em queda na manhã, com dados de mercado indicando que o Brent caía 1,31%, a US$ 69,91 por barril, enquanto o WTI recuava 1,59%, a US$ 64,37.
Especialistas consultados destacam que, mesmo com o risco de conflito, o excesso de oferta no mercado e restrições comerciais ao Irã podem limitar uma alta expressiva no curto prazo, mas a persistência das tensões pode levar a oscilações mais intensas nos preços.
Índices globais, dados dos EUA e impacto no Brasil
No exterior, Wall Street fechou em alta, com investidores avaliando riscos ligados a grandes empresas de tecnologia e à inteligência artificial, e à expectativa pelos resultados da Nvidia.
Os principais índices dos EUA registraram: o Dow Jones subiu 0,63%, aos 49.482,27 pontos, o S&P 500 avançou 0,81%, aos 6.946,14 pontos, e o Nasdaq teve alta de 1,26%, aos 23.152,08 pontos.
Na Europa, o índice STOXX 600 subiu 0,7%, aos 633,47 pontos, o FTSE 100 avançou 1,18%, aos 10.806,41 pontos, o CAC 40 subiu 0,47%, aos 8.559,07 pontos, e o DAX avançou 0,76%, aos 25.175,94 pontos.
Na Ásia, os movimentos foram majoritariamente positivos, com destaque para China e Hong Kong, e altas expressivas em mercados como Japão, Coreia do Sul e Taiwan.
Dados locais e números citados pelo mercado
No Brasil, investidores acompanharam um dia de poucos indicadores domésticos e foco no cenário externo. Dados divulgados apontaram os balanços semanais e mensais para câmbio e Bolsa, com as seguintes referências exatas: Acumulado da semana: -0,99%;Acumulado do mês: -2,34%;Acumulado do ano: -6,63%.
Sobre a Bolsa, os números citados foram: Acumulado da semana: +0,32%;Acumulado do mês: +5,39%;Acumulado do ano: +18,63%.
Na agenda dos EUA, o Departamento do Trabalho divulgou pedidos iniciais de seguro-desemprego, com a referência de que, na semana anterior foram registrados 206 mil pedidos, e a expectativa agora é de 215 mil, dados que influenciam a leitura sobre a saúde do mercado de trabalho e pelas expectativas de política monetária.
No plano político, a pesquisa da AtlasIntel citada nas matérias apontou que o presidente Lula e Flávio Bolsonaro estariam tecnicamente empatados em um eventual segundo turno, leitura que alguns investidores interpretam como potencial para mudanças na condução das contas públicas a partir de 2026.
Analistas destacam que, embora a tensão eleve o apetite por dólar e ativos de refúgio, o mercado não trabalha com a hipótese de um conflito prolongado, o que limita expectativas de choques permanentes, porém mantém volatilidade elevada em setores como petróleo e energia.
Em resumo, o dia é marcado por maior aversão ao risco, com o dólar em foco por motivos geopolíticos, petróleo sensível ao fluxo pelo Estreito de Ormuz e bolsas sujeitas a revisões conforme novos desdobramentos das negociações em Genebra.