Stellantis carros elétricos, grupo dono de Fiat, Jeep e Peugeot, reconheceu perdas massivas ao rever expectativas, e diz que fluxo de caixa só volta a positivo em 2027
A Stellantis registrou um prejuízo líquido de 25,4 bilhões de euros em 2025, resultado que reflete ajustes contábeis após a empresa rever suas projeções para o mercado de carros elétricos.
O grupo, que reúne marcas como Fiat, Jeep, Peugeot, Citroën, Ram e Chrysler, teve de registrar baixas contábeis significativas porque superestimou o ritmo de adoção de modelos eletrificados, segundo a companhia.
Os dados e declarações da empresa mostram o impacto financeiro da reorientação da estratégia de veículos elétricos, conforme informação divulgada pelo g1.
Como aconteceu o prejuízo e o que ele representa
As perdas de 25,4 bilhões de euros foram lançadas ao longo de 2025, com 22,2 bilhões de euros ocorrendo só no segundo semestre, o que pressionou o preço das ações da empresa. Além disso, a companhia reportou um prejuízo operacional ajustado de 1,38 bilhão de euros, indicador que exclui itens extraordinários.
Esses números mostram que a Stellantis carros elétricos pagou um custo elevado por ter antecipado um ritmo de transição que não se confirmou, e precisou reavaliar o valor de ativos ligados à eletrificação.
Desempenho operacional e vendas, dados contraditórios
Apesar das baixas contábeis, a receita da companhia cresceu 10% no segundo semestre, chegando a 79,25 bilhões de euros, e as entregas de veículos aumentaram 11% no período. Ou seja, houve crescimento de volume e receita, mesmo com o impacto extraordinário no resultado.
Analistas consultados, como os do Citi, classificaram o conjunto de resultados como um “ponto baixo evidente”, e dizem ver outras montadoras europeias e americanas com menos riscos no momento.
Reações da companhia e perspectivas para 2026
Em nota, o CEO Antonio Filosa afirmou que “Nossos resultados completos de 2025 refletem o custo de superestimar o ritmo da transição energética e da necessidade de reorientar nosso negócio em torno da liberdade de nossos clientes de escolher entre toda a gama de tecnologias elétricas, híbridas e de combustão interna.”
Filosa acrescentou que, na segunda metade do ano, já foram vistos sinais iniciais de melhora na qualidade, no lançamento de novos produtos e no retorno ao crescimento da receita, e disse, “Em 2026, nosso foco será continuar fechando as lacunas de execução, adicionando impulso ao nosso retorno ao crescimento lucrativo”.
Impacto no mercado e projeções financeiras
As ações da Stellantis em Milão chegaram a cair 0,3% no dia do anúncio e acumulam queda de cerca de 20% desde que as perdas foram divulgadas, com um recuo de 30% no ano até 6 de fevereiro, segundo a companhia.
A empresa manteve projeções para 2026 apontando crescimento moderado da receita e uma margem operacional baixa, porém positiva. A Stellantis também prevê que o fluxo de caixa livre só voltará a ficar positivo em 2027, indicando que a recuperação será gradual.
O caso da Stellantis carros elétricos ilustra as dificuldades que montadoras enfrentam ao equilibrar investimentos em eletrificação com a demanda atual, especialmente após mudanças de metas em mercados como Estados Unidos e Europa.