Stellantis apresenta 25,4 bilhões de euros em baixas contábeis, pressiona resultado de 2025 e obriga nova estratégia sobre carros elétricos, híbridos e motores a combustão
Os resultados completos de 2025 da Stellantis mostraram perdas expressivas e uma revisão da aposta nos carros elétricos, com impactos que alcançaram o valor contábil de ativos da empresa.
A divulgação trouxe baixa contábil, prejuízo operacional ajustado e efeitos imediatos nas ações da empresa em Milão, enquanto a companhia mantém projeções moderadas para 2026.
As informações e os números a seguir foram divulgados pela imprensa e consolidados no balanço do grupo, conforme informação divulgada pelo g1
O que pesou no resultado
A Stellantis registrou 25,4 bilhões de euros (R$ 154 bilhões) em baixas contábeis ao longo de 2025, valores que representam ajustes por perda de valor de ativos.
Só no segundo semestre foram 22,2 bilhões de euros (R$ 134,5 bilhões), um movimento que acelerou a pressão sobre o valor das ações da montadora.
Além das baixas, a empresa teve um prejuízo operacional ajustado de 1,38 bilhão de euros (R$ 8,4 bilhões), número que mostra o desempenho recorrente sem eventos extraordinários.
Receita, entregas e resposta do mercado
Apesar das perdas contábeis, a receita da Stellantis cresceu 10%, alcançando 79,25 bilhões de euros (R$ 480,3 bilhões) no segundo semestre, com aumento de 11% nas entregas de veículos.
Analistas do Citi chamaram esse conjunto de resultados de um “ponto baixo evidente” para a empresa, e avaliaram que pode haver recuperação, embora vejam concorrentes europeias e americanas com menos risco no momento.
As ações da Stellantis em Milão caíam 0,3% no dia do anúncio e, desde a divulgação das perdas relacionadas aos carros elétricos, já acumulavam queda de cerca de 20%, com o valor das ações atingindo o nível mais baixo em 6 de fevereiro, acumulando queda de 30% no ano.
Declaração da direção e próximos passos
Em nota, Antonio Filosa, CEO da Stellantis, reconheceu o erro de avaliação ao comentar os resultados, ao afirmar, “Nossos resultados completos de 2025 refletem o custo de superestimar o ritmo da transição energética e da necessidade de reorientar nosso negócio em torno da liberdade de nossos clientes de escolher entre toda a gama de tecnologias elétricas, híbridas e de combustão interna.”
Filosa disse ainda que, na segunda metade do ano, a empresa viu sinais iniciais e positivos de melhora na qualidade, no lançamento de novos produtos e no retorno ao crescimento de receita.
Para 2026, a montadora manteve previsões de crescimento moderado da receita e margem operacional baixa, porém positiva, e anunciou que espera que o fluxo de caixa livre retorne ao positivo apenas em 2027.
O que isso significa para a transição aos elétricos
O caso da Stellantis ilustra o desafio maior enfrentado pelas montadoras globais na transição dos motores a combustão para os carros elétricos, especialmente depois de mudanças nas metas de governos na Europa e nos Estados Unidos.
Investimentos altos em tecnologia e plataformas elétricas, combinados com vendas e demandas ainda em adaptação, tornaram o processo caro e suscetível a correções contábeis e estratégicas.
A empresa diz que vai focar em fechar lacunas de execução e em recuperar crescimento lucrativo, enquanto ajusta seu portfólio para oferecer ao cliente opções elétricas, híbridas e convencionais, e tenta recuperar confiança dos investidores.