Senado aprovou o acordo com ampla maioria, o tratado prevê eliminação de tarifas em mais de 90% do comércio entre blocos, Europa pede análise legal e setor agro protesta
A aprovação no Congresso argentino concluiu o processo parlamentar que faltava para a adesão formal ao pacto comercial entre o Mercosul e a União Europeia.
A medida abre caminho para reduzir tarifas, ampliar trocas comerciais e redesenhar cadeias produtivas, enquanto provoca alertas de produtores e debates políticos.
Conforme informação divulgada pelo g1
Ratificação e números da votação
A votação no Senado argentino foi clara e decisiva, a favor do texto assinado em 17 de janeiro, em Assunção.
Na sessão, foi registrado o resultado literal, Com 69 votos a favor, 3 contrários e nenhuma abstenção, formalizando a confirmação parlamentar do acordo.
Com a decisão, a Argentina torna-se o segundo país do Mercosul a concluir a ratificação, depois do Uruguai.
O que prevê o acordo e efeitos imediatos
O texto promete ampliar o comércio entre os blocos, pois O tratado eliminará tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos, segundo o documento divulgado.
Juntos, União Europeia e Mercosul somam cerca de 30% do Produto Interno Bruto mundial e mais de 700 milhões de consumidores, parâmetros que reforçam a dimensão econômica do acordo.
Setores industriais europeus, como fabricantes de veículos e máquinas, esperam ganho de mercado, enquanto exportadores sul-americanos projetam aumento nas vendas agrícolas e de commodities processadas.
Resistências na Europa e análise legal
No lado europeu, a tramitação sofreu um revés em 21 de janeiro, quando o Parlamento Europeu suspendeu a própria ratificação e enviou o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para análise.
A Comissão Europeia, que é o braço executivo do bloco, pode decidir adotar uma implementação provisória do acordo, mas, até o momento, não tomou uma decisão definitiva.
Há resistência expressiva do setor agropecuário europeu, que teme a entrada maior de produtos sul-americanos, como carne, arroz, mel e soja, no mercado da União Europeia.
Próximos passos no Mercosul e salvaguardas
Brasil e Paraguai já iniciaram os procedimentos internos para ratificação, e o debate político deve ganhar ritmo nos parlamentos nacionais nos próximos dias.
A Comissão Europeia anunciou a adoção de salvaguardas para setores considerados sensíveis, com o objetivo de reduzir choques de concorrência imediatos.
O avanço da ratificação no Mercosul aumenta a pressão sobre a União Europeia, que precisa resolver a análise legal para que o acordo entre em vigor, total ou provisoriamente, e para que a promessa de integração comercial possa começar a produzir efeitos concretos.