Sessão pública na B3 às 14h vai definir a concessionária que administrará por 30 anos 520 km da Rota Mogiana, com R$ 9,4 bilhões em obras e implantação do free flow
O leilão da Rota Mogiana ocorre nesta sexta-feira (27), às 14h, na Bolsa de Valores de São Paulo, e vai apontar a empresa que ficará responsável pela administração das rodovias do corredor por três décadas.
O pacote inclui R$ 9,4 bilhões em investimentos, com obras de duplicação, faixas adicionais, marginais e a implantação do sistema de cobrança automática conhecido como free flow.
Quatro grupos apresentaram propostas e disputam o direito de gerir o complexo viário, executar as intervenções previstas e operar a cobrança sob supervisão da agência reguladora.
conforme informação divulgada pelo g1
O que está em jogo
A concessão abrange 520 quilômetros de rodovias estaduais que passam por 22 municípios de São Paulo, nove deles na região de Campinas, e deve beneficiar cerca de 2,3 milhões de pessoas.
Estão na lista de cidades impactadas Aguaí, Águas da Prata, Artur Nogueira, Cajuru, Campinas, Casa Branca, Cosmópolis, Espírito Santo do Pinhal, Estiva Gerbi, Holambra, Itobi, Jaguariúna, Limeira, Mococa, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Santa Cruz da Esperança, Santo Antônio de Posse, São João da Boa Vista, São José do Rio Pardo, Tapiratiba e Vargem Grande do Sul.
Quatro grupos entregaram propostas, Motiva (ex-CCR), MC Brazil Concessões Rodoviárias (do fundo Mubadala), EPR Participações e o Consórcio Rota Mogiana, liderado pelo grupo Azevedo e Travassos, e vence quem oferecer o maior valor ao governo.
Principais obras e trechos incluídos
O projeto prevê diversas intervenções, com duplicações de mais de 217 quilômetros, 138 quilômetros de faixas adicionais, 86 quilômetros de vias marginais, 58 novas passarelas para pedestres e 129 novos dispositivos de interseção, além da implementação do Sistema Automático Livre (Free Flow).
O pacote reúne trechos hoje operados pelo Estado e segmentos sob concessão privada, unificando a gestão do corredor. Entre as rodovias envolvidas estão SP-107, SP-215, SP-333, SP-338, SP-340, SP-342, SP-344 e SP-350, além de diversos trechos atualmente sob gestão da Renovias e do DER-SP.
Pedágio free flow e impacto na tarifa
O governo do estado afirma que a nova concessão começará com redução nas tarifas atuais, com quedas de até 29% nas praças em Jaguariúna, 26% em Estiva Gerbi e 20% em Espírito Santo do Pinhal, e que a cobrança será proporcional ao trecho percorrido com o sistema free flow.
O free flow elimina praças físicas e cobra pelo trecho efetivamente percorrido, o que tende a reduzir gargalos e melhorar a fluidez, porém exige adaptação dos motoristas e atenção ao pagamento, sob risco de multa e pontos na carteira.
O professor Creso de Franco Peixoto, da Unicamp, alerta que, apesar da redução inicial das tarifas, a concessão implica custo direto ao usuário ao longo do contrato, e que a modernização tecnológica também traz desafios de adesão.
Ele destaca, sobre duplicações e segurança, “Você duplica, é claro que o risco diminui, tem uma fluidez maior, então você troca um pouco de um tipo de acidente para outro”, e sobre o free flow afirma, “Com o free flow, ainda nós temos outra questão negativa, que são os motoristas que não querem usar o sistema automático, Inclusive, desde o primeiro sistema aqui no nosso Sudeste, se a gente pensar em termos da BR-101, onde a concessão naquele local colocou o free flow e nós temos um passivo sensível dos motoristas que não pagaram, com uma certa dificuldade de entender o sistema. Então, tem que, com o tempo, se adequar. É algo negativo também, que com o tempo pode minimizar”.
Riscos, fiscalização e efeitos na segurança viária
O Governo de SP ressaltou que a concessão foi estruturada com base em estudos técnicos de demanda, engenharia e segurança viária, e que as concessionárias ficam sujeitas à fiscalização permanente da Artesp.
Em nota, o governo cita dados do programa de concessões para sustentar ganhos de segurança, “De acordo com dados do Infosiga, nas rodovias concedidas houve redução de 51% nas mortes, 42% nos feridos e 48% no total de acidentes desde o início do programa.”
Para especialistas, as obras devem reduzir retenções e colisões associadas ao anda-e-para, mas podem elevar acidentes relacionados à velocidade em vias mais fluidas, exigindo campanhas e fiscalização contínua.
A vencedora do leilão será responsável pelas obras previstas, manutenção e operação do pedágio ao longo de 30 anos, e terá de cumprir metas contratuais sob supervisão da agência reguladora estadual.