quinta-feira, junho 4, 2026

Rota Mogiana: leilão de 520 km em SP define concessão por 30 anos, R$ 9,4 bilhões em obras, pedágio free-flow e redução de até 29% nas tarifas

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Leilão da Rota Mogiana, às 14h na B3, definirá a empresa que administrará 520 km por 30 anos, com R$ 9,4 bilhões em obras, implantação do pedágio free-flow e queda inicial de tarifas

O governo de São Paulo levará a leilão, nesta sexta-feira, a concessão chamada Rota Mogiana, que reúne 520 km de rodovias estaduais e terá contrato de 30 anos.

O projeto prevê investimentos de R$ 9,4 bilhões para duplicações, adição de faixas, vias marginais, passarelas e implantação do sistema free-flow, além de manutenção e operação.

Quatro grupos apresentaram propostas e a sessão pública começa às 14h na Bolsa de Valores de São Paulo, B3, conforme informação divulgada pelo g1.

O que está em jogo

A concessão da Rota Mogiana abrange trechos que cortam 22 municípios e, segundo o governo, deve beneficiar cerca de 2,3 milhões de pessoas. A vencedora ficará responsável pelas obras previstas, pela manutenção da malha e pela operação do pedágio, sob fiscalização da agência reguladora estadual.

Entre as promessas estão redução inicial nas tarifas, com quedas anunciadas de redução de até 29% nas tarifas em algumas praças, e a cobrança proporcional pelo sistema free-flow, em que o motorista paga apenas pelo trecho percorrido.

Trechos e obras previstas

O pacote inclui duplicações de mais de 217 quilômetros, 138 quilômetros de faixas adicionais, 86 quilômetros de vias marginais, 58 novas passarelas para pedestres e 129 novos dispositivos de interseção, além da implementação do Sistema Automático Livre, o free-flow.

Serão incorporados ao lote trechos hoje sob gestão do Estado e segmentos que já são concedidos, unificando a administração ao longo do corredor. Entre as rodovias estão trechos das SP-107, SP-215, SP-333, SP-338, SP-340, SP-342, SP-344 e SP-350.

Quem disputa o leilão e como funciona

Quatro grupos entregaram envelopes com propostas: Motiva, MC Brazil Concessões Rodoviárias, EPR Participações e o Consórcio Rota Mogiana, liderado por Azevedo e Travassos. Vence quem oferecer o maior valor ao governo pelo direito de administrar as rodovias.

A concessão tem previsão de vigência de 30 anos e a vencedora fará as intervenções, a manutenção e cobrará o pedágio sob regras contratuais e fiscalização da Artesp.

Pedágio free-flow, benefícios e riscos para usuários

O governo afirma que a nova concessão começará com redução nas tarifas atuais, com quedas de até 29% em Jaguariúna, 26% em Estiva Gerbi e 20% em Espírito Santo do Pinhal, e com a implantação da cobrança proporcional pelo sistema free-flow.

Especialistas lembram, porém, que a modernização traz custos ao usuário ao longo do contrato. O professor Creso de Franco Peixoto, da Unicamp, avalia que, embora haja redução inicial nas tarifas, a concessão implica custo direto ao usuário ao longo do contrato, que é de 30 anos.

O free-flow pode melhorar a fluidez e eliminar praças físicas, mas exige adaptação dos motoristas, e há histórico de inadimplência em sistemas similares, além de regras que multiplicam a cobrança para veículos com reboque e semirreboque, conforme alertas sobre o modelo, incluindo que o free flow cobra até o dobro para veículos com reboque e semirreboque.

Segurança e resultados de concessões anteriores

O Governo de SP informou que as concessões rodoviárias no estado estão associadas à redução consistente de acidentes e mortes, e que o contrato garante padrões técnicos de manutenção e fiscalização permanente da Artesp.

Em nota, o governo citou dados do Infosiga mostrando que, nas rodovias concedidas houve redução de 51% nas mortes, 42% nos feridos e 48% no total de acidentes desde o início do programa, resultados que foram atribuídos a obras como duplicações, melhorias geométricas, sinalização, iluminação e atendimento permanente ao usuário.

O governo também disse que “não há meta contratual de redução de acidentes, uma vez que ocorrências de trânsito envolvem múltiplos fatores, especialmente o comportamento do condutor, que não é gerenciável pela concessionária”, frase que sintetiza a visão oficial sobre limites de atuação das empresas.

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