Como o colapso do Master mostrou os limites do FGC, por que o fundo terá de recompor recursos e como isso pode encarecer crédito e mudar a oferta de investimentos
O colapso do Banco Master e de instituições do mesmo grupo gerou um choque de confiança e expôs os **limites do FGC** na proteção de poupadores e investidores.
O episódio levou o Fundo Garantidor de Créditos a pagar valores bilionários, ao mesmo tempo em que aguarda entradas adicionais para recompor o caixa, o que pode afetar tarifas e a oferta de crédito.
As consequências vão além do ressarcimento imediato, incluindo mudanças no financiamento do FGC e na postura de bancos e corretoras, conforme informação divulgada pelo g1
Como funciona a garantia e onde ela falhou
O **FGC** foi criado em 1995 e funciona como um seguro para depósitos e aplicações em bancos, garantindo até **R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada grupo financeiro**, com limite total de **R$ 1 milhão a cada quatro anos**, somando principal e rendimentos acumulados até a liquidação, conforme regras vigentes.
No caso do grupo que controlava o Banco Master, o Fundo terá de arcar com pagamentos que, somando Master, Will Bank e Banco Pleno, devem chegar a **cerca de R$ 51 bilhões**, e que fizeram o FGC desembolsar **R$ 37,2 bilhões** até o momento, segundo dados do g1.
O risco ficou evidente quando produtos oferecidos com selo de proteção foram usados como argumento comercial, diminuindo a percepção de risco entre investidores menos experientes.
Experiências de investidores e críticas à distribuição
Morando nos Estados Unidos, a investidora identificada como Marina, nome fictício, aplicou R$ 10 mil em CDB do Banco Master atraída por rentabilidade e prazo curto, e, ao saber da liquidação em novembro, viu o montante comprometido. Ela relatou, “Quando vi o valor creditado, fiquei muito aliviada”, e disse que o processo, no seu caso, foi rápido, levando menos de 24 horas para o crédito, conforme relato ao g1.
Outro investidor, Alexandre Gonçalves, aplicou R$ 15 mil em CDBs do Master e lembrou que as comunicações da sua corretora combinavam “segurança e rentabilidade”. Ele afirmou, “Demorou, mas deu certo. Depois que liberaram o pedido de ressarcimento, o dinheiro caiu na conta em quatro dias. Mas, desde a liquidação do banco, foram meses de espera”, relato publicado no g1.
Especialistas ouvidos apontam que o uso do selo do FGC como argumento de venda levou clientes a aceitar taxas mais altas sem a plena compreensão dos riscos, e que corretoras e gerentes receberam incentivos comerciais que podem ter distorcido recomendações.
Pressão sobre o fundo, propostas de revisão e efeitos no mercado
Antes da crise, o FGC tinha mais de **R$ 140 bilhões** em caixa, valor que precisa ser parcialmente recomposto após os recentes pagamentos. Cerca de **800 mil investidores** têm direito à garantia só por causa do Banco Master, e **653 mil credores do Master** já receberam valores, o que representa **84% dos beneficiários**, segundo o g1.
Para recompor os recursos, o FGC estuda medidas como antecipar contribuições previstas para anos seguintes, cobrar um adicional sem prazo definido das instituições associadas, e negociar o uso de parte do compulsório, ações que transferem custo e urgência para o sistema financeiro.
Especialistas defendem que a contribuição ao FGC deveria refletir o risco de cada instituição. O economista Armando Castelar afirmou, “A contribuição deveria refletir o risco da instituição”, opinião relatada pelo g1.
O Conselho Monetário Nacional já aumentou a cobrança para bancos mais expostos, dobrando temporariamente a alíquota de 0,01% para 0,02% sobre saldos cobertos, e exigiu que mantenham maior parcela em títulos públicos, medida que busca reduzir incentivos distorcidos, segundo informações do g1.
O advogado Adilson Bolico disse que essa dinâmica pode ter gerado uma “quebra do dever fiduciário” por parte de distribuidores e bancos, e o advogado Roberto Panucci alertou que, “Um título que, no papel, prometia rendimento acima do CDI pode, após meses de espera, render muito pouco ou até gerar perda real, quando se considera a inflação e o tempo em que o dinheiro ficou parado”, conforme publicado pelo g1.
O que muda para consumidores e para o sistema financeiro
Parte do custo de recomposição do FGC tende a ser repassada à população, por meio de tarifas mais altas, juros maiores em empréstimos ou menor rendimento nas aplicações, impactando mesmo quem não investiu nas instituições liquidadas.
Além disso, com menos capital disponível, bancos e fintechs podem apertar os critérios de concessão de crédito, reduzindo oferta ou elevando preços, o que pode prejudicar especialmente famílias e pequenas empresas.
O caso serviu como alerta sobre a necessidade de maior transparência na distribuição de produtos com cobertura do FGC e de um modelo de financiamento que desincentive práticas de risco, assunto que segue em debate entre reguladores, especialistas e o mercado, conforme informação divulgada pelo g1.